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  PAPO DE RESPONSA

Polícia Civil retoma atividades do programa Papo de Responsa nas escolas de Taquara

Programa é realizado nas escolas de ensino fundamental e médio, públicas ou privadas
Fotos: Cleusa Silva/Rádio Taquara

Preocupado com o aumento significativo de ocorrências relacionadas a insultos e agressões nas escolas do Município, assim como tem ocorrido em outras cidades do Rio Grande do Sul e do Brasil, o delegado José Marcos Falcão de Melo, titular da Delegacia de Polícia (DP) de Taquara, decidiu retomar as atividades do “Papo de Responsa”, programa da Polícia Civil do Rio Grande do Sul que tem como objetivo prevenir a violência e as drogas no ambiente escolar, entre outras ações.

Desenvolvido desde outubro de 2016, o programa é realizado nas escolas de ensino fundamental e médio, públicas ou privadas. Por meio de um “papo”, os policiais civis promovem um diálogo descontraído com os estudantes, falando sobre prevenção à violência, as consequências advindas do tráfico e consumo de drogas, o papel do policial na sociedade, direitos e deveres do cidadão, entre outros temas solicitados pelas próprias escolas.

Em agosto do ano passado, dois policiais da DP de Taquara participaram de uma capacitação para retomarem o projeto nas escolas do Município, atividades que voltaram a acontecer agora, com a chegada do delegado Falcão, terceiro policial qualificado para promover o programa.

Conforme o delegado titular da DP de Taquara, no mês de março, especificamente, houve um aumento considerável no número de ocorrências relacionadas a agressão e insultos nas escolas do Município, principalmente em duas da rede estadual, que já possuem um contexto de violência generalizada.

“Março foi um mês de retorno às aulas e os alunos voltaram com uma agressividade contida, acredito que por causa da pandemia. Nós tivemos ocorrências envolvendo, inclusive, famílias de alunos e de vítimas. E os crimes são sempre no mesmo contexto: ameaça, lesão corporal, vias de fato, perturbação, além de calúnia, difamação e injúria, que são crimes contra a honra”, explicou delegado Falcão.

Nesta quarta-feira (06), a convite de Karine Kersting, diretora da Escola Técnica Estadual Monteiro Lobato (Cimol), o delegado e os inspetores Tiago de Figueiredo e Rodrigo Kichler realizaram dois momentos de bate-papo com os estudantes, no período da manhã e à tarde, tratando sobre o tema “Crimes Cibernéticos e Cyberbullying”.

Presente durante o encontro da manhã, a reportagem da Rádio Taquara pode conferir o trabalho realizado pela Polícia Civil de Taquara, abordando o assunto de forma descontraída e possibilitando que os alunos do Cimol participassem com perguntas sobre o tema proposto, sobre o cotidiano escolar e outros tópicos que foram surgindo durante a conversa.

Na opinião do delegado Falcão, esse aumento de ocorrências dentro do ambiente escolar tem relação com a pandemia do coronavírus, que retirou os alunos de sala de aula e transformou as redes sociais no principal meio de comunicação e diálogo entre eles, favorecendo o aumento de casos de cyberbullying.

“A rede social permite tudo e lá você tem um ambiente descontrolado, onde todo mundo fala o que quer e isso se multiplica de tal forma que você não consegue dimensionar como isso atinge o outro. Antes tínhamos o problema de bullying nas escolas, que gerava violência, suicídio, problemas seríssimos, e agora isso se transportou para as redes sociais” analisa delegado Falcão.

De acordo com o delegado, o cyberbullying é muito pior, pois o bullying se concentra entre os alunos, fisicamente e num espaço limitado. Já o cyberbullying, que é uma ofensa, uma injúria, uma calúnia, uma difamação jogada nas redes sociais, ganha repercussão até em nível nacional.

“Esse é o problema, o descontrole no uso das redes sociais. A divulgação de violência e agressividade, represadas pela pandemia, e também a insensibilidade de alguns em relação a determinados temas como, por exemplo, homossexualismo, obesidade, cor da pele, caráter étnico. Tudo isso se soma e aí reflete no aumento do número de ocorrências relacionadas a agressões desenfreadas”, explica o delegado titular da DP de Taquara.

Na próxima semana, o delegado Falcão e os inspetores Tiago e Rodrigo já tem um encontro agendado em outra escola da rede estadual, e a ideia é incluir os pais dos alunos nas próximas conversas.

Escolas interessadas em participar do Papo de Responsa, programa que já foi apresentado na Secretaria Municipal de Educação, Cultura e Esportes (Smece) de Taquara, devem fazer sua solicitação pelo e-mail papoderesponsa@pc.rs.gov.br, informando qual o tema que querem trabalhar com os alunos. Mais informações podem ser obtidas com a DP de Taquara, pelo telefone (51) 3542-1300.