Polícia deflagra operação contra facção acusada de cometer 31 homicídios em oito cidades, inclusive Taquara

Dentre os 22 presos está um vereador de Cachoeirinha, que é irmão da segunda liderança da organização criminosa
Publicado em 03/08/2021 15:02 | Atualizado em 03/08/2021 15:09 Off
Por Rádio Taquara
Armas apreendidas durante a investigação. Foto: Divulgação/Polícia Civil

Uma operação, batizada de ‘Cidade de Deus’, foi deflagrada pela Polícia Civil, na manhã desta terça-feira (03), contra uma facção criminosa. O delegado Ricardo Milesi, da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DPHPP) de Gravataí, foi o responsável por liderar a ação contra a organização criminosa, que é envolvida com tráfico de drogas, jogos de azar e homicídios. 

Foram cumpridas 82 ordens judiciais, dos quais 57 mandados de busca e apreensão, em Porto Alegre, Gravataí, Cachoeirinha, Esteio, Guaíba, Portão, Tramandaí e Pelotas. Cerca de 250 agentes, em 60 viaturas com apoio aéreo foram utilizados para o cumprimento das ações.

Houve ainda a execução de 21 mandados de prisão preventiva, sendo que 18 deles dentro do sistema carcerário. Entre os 22 presos na ação está um vereador de Cachoeirinha, que é irmão da segunda liderança da organização criminosa.

A investigação da DPHPP de Gravataí começou em julho do ano passado a partir de uma colaboração premiada que apontou a autoria de 31 homicídios praticados pela organização criminosa. As execuções ocorreram em Gravataí, Cachoeirinha, Porto Alegre, Canoas, Sapucaia do Sul, Guaíba, Eldorado e Taquara.

Durante a investigação, a equipe da DPHPP de Gravataí identificou 79 membros da facção, que possui divisão hierárquica precisamente definida e com separação das atividades em três núcleos distintos e interligados.

Um núcleo era voltado aos crimes violentos e tráfico de drogas, onde os executores dos homicídios recebiam como “prêmio” pontos de venda de drogas para administrarem e tinham facilidades para aquisição de armas e entorpecentes.

Já um outro núcleo atuava em jogos de azar, como bingos e máquinas de caça-níquel. A atividade ilícita rendia à organização criminosa igual ou maior lucro que o tráfico de drogas, com a vantagem de ser menos violenta.

A prática da jogatina ocorria na Capital, Região Metropolitana, Litoral Norte e Sul do Estado. Antigos chefes dos jogos de azar foram obrigados a dividir lucros com a facção ou tiveram seus pontos tomados com uso de violência e ameaças.

O trabalho investigativo constatou ainda um núcleo político. A facção tinha como plano a infiltração de membros na esfera política, com intuito de defender os interesses dela perante o poder público.

A estratégia começou com a eleição do vereador agora preso. Caracterizada por ameaças e violência contra opositores, a campanha dele teve pressão contínua e troca de favores com eleitores de comunidades carentes da cidade.

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