
Uma grande ação policial de combate à lavagem de dinheiro foi deflagrada na manhã desta terça-feira (25/04) na região da campanha e fronteira do estado. A operação Deu Zebra cumpriu 237 ordens judiciais em 14 municípios do Rio Grande do Sul e finalizou com 19 pessoas presas, mais de R$200 mil reais, carros, motos e objetos usados para o crime foram apreendidos, além de 19 imóveis sequestrados.
Segundo a delegada Ana Luiza Tarouco foram 16 meses de investigação que identificou uma organização criminosa que atuava no ramo de jogos de azar, configurando também os delitos de organização criminosa e lavagem de capitais. “Foram mais de 250 horas de vigilância, mais de 5 mil horas de interceptações telefônicas que auxiliaram na identificação de quase uma centena de envovidos no esquema”, conta a delegada.
Um dos mandados judiciais foi cumprido em Taquara. Segundo as investigações, uma prestadora de serviços em tecnologia da informação, cujo nome da empresa não foi divulgado, foi contratada pela organização para prestar o serviço chamado M2M (Machine To Machine, ou Máquina por Máquina). Esta é uma forma de comunicação entre aparelhos em rede que funciona a partir do sistema de telefonia celular. Esta operação tecnológica, segundo a delegada, ocorreu porque máquinas de jogo foram fraudadas pela quadrilha. Na coletiva de imprensa em que comentou a operação, a delegada explicou que em Taquara e Porto Alegre ficavam as empresas de tecnologia, uma de armazenamento de dados e outra de comunicação. “Não que estas empresas tenham ligação, não há nenhum indicativo. São empresas lícitas, que prestavam seu serviço”, diz a delegada.
Durante a investigação, os policiais identificaram a quantia de mais de R$ 521 milhões de reais em movimentação financeira nos últimos quatro anos, bem como identificou mais de R$ 11 milhões em patrimônio dos investigados, sendo 57 veículos e 19 imóveis. “Não nos limitamos somente a identificar apontadores do jogo, mas buscamos identificar toda a cadeia criminosa que atua por trás das máquinas de apostas, mapeando uma infraestrutura organizada e hierarquizada, formada por apontadores, recolhedores, gerentes, laranjas, equipe de TI, suporte logístico e líderes, numa atuação, que acreditamos, inovadora em se tratando de investigação de jogos de azar”, destaca a delagada Tarouco.
O chefe de polícia, delegado Emerson Wendt, destaca que essa ação é a maior operação de lavagem de capitais da Polícia Civil gaúcha, dado o volume financeiro movimentado. “Certamente ações como esta não param por aqui, a Polícia Civil segue monitorando esses e outros crimes correlatos diuturnamente nas mais diversas regiões do estado”, destaca o Chefe de Polícia.
Ao todo, foram cumpridas buscas em 14 cidades do Rio Grande do Sul, totalizando 237 ordens judiciais, sendo 14 mandados de prisão preventiva, 73 mandados de busca e apreensão, sete mandados de condução coercitiva, 57 mandados de busca e apreensão de veículos, 19 sequestros de imóveis e bloqueio de contas bancárias pertencentes a 67 pessoas físicas e jurídicas diferentes. A ação contou com apoio de 212 policiais civis, oito policiais militares, oito policiais rodoviários federais, além do apoio aéreo da Polícia Civil.
Cidade do estado em que ocorreram buscas:
- Bagé
- Caçapava do Sul
- Cacequi
- Dom Pedrito
- Pelotas
- Porto Alegre
- Quaraí
- Rosário do Sul
- Santa Rosa
- Santana do Livramento
- Santo Ângelo
- São Gabriel
- São Sepé
- Taquara
Assista a íntegra da entrevista coletiva da Polícia Civil:
Coletiva Operação Deu Zebra em Santana do Livramento https://t.co/N7BHUJNr4a
— Polícia Civil do RS (@policiacivilrs) 25 de abril de 2017


