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Esta postagem foi publicada em 5 de outubro de 2012 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Política

“Todos veem o que pareces ser, mas poucos realmente sentem o que és.”
Maquiavel

Maquiavel centrou grande parte do seu trabalho na questão da política. Definiu-a como uma ciência, separou-a de um engodo de relações sociais (a política tendo uma ética própria) e transformou-a num objeto de análise e, o mais importante, num objeto de ação. Muito se desvirtuou de Maquiavel, muito do senso-comum transformou-o em um ser horrível, diabólico, um psicopata politicamente incorreto que se sublima no verbete, que todos sabemos o que significa, “maquiavélico”. Esse ódio em relação a Maquiavel surge, principalmente, porque ele possui opiniões um tanto quanto ‘incorretas’ num sentido de carapuça bondosa, como por exemplo: a ideia de que o governante deve fazer o mal de uma vez só e não destilá-lo aos poucos, pois o povo se esquece facilmente desse mal concentrado. É de Maquiavel também a ideia da “economia da violência”: ‘suprima uma revolução com o mal, antes que essa se converta em ‘mal’ maior. Ideias, posteriormente, abarcadas por outros pensadores como Weber.
Maquiavel somente deslocou a política da vida privada e transformou-a em uma ciência que, como tal, deveria seguir certos pressupostos lógicos de investigação. Maquiavel queria, com a sua obra, a unificação da Itália (Século XVI, realizada somente no século XIX pelo nosso conhecidíssimo Garibaldi), queria a grandeza do povo italiano restituída. Pelo fim justificaria os meios, em mais uma de suas frases clássicas. Ele não era político, mas um cientista, ou seja, adotava os pressupostos da pesquisa em seu trabalho, seguia uma abordagem metodólica clara que, ao fim de tudo, buscava um ideal belo. Maquiavel era um nacionalista que sonhava com a grandeza restaurada em uma Itália que na sua época era um emaranhado de principados independentes e hostis uns com os outros. A política serviria, nesse contexto, como unificadora. O Príncipe (1513), sua obra clássica, seria essa figura transbordada da política, ou seja, o unificador, a unificadora…
Quero chegar, com toda essa exemplificação de Maquiavel, no mais importante assunto da semana: as eleições no dia 7. Como a frase acima de Maquiavel explicita, poucos de nós podem realmente sentir o que é, poucos podem enxergar a “cena inteira” de uma política que, muitas vezes, transborda, ao contrário do príncipe maquiavélico, de paternalismos, diferenças hostis, desavenças pessoais e, como resultado, prejudicam aqueles que realmente necessitam desta política, o povo. Assim como a Itália do século XVI, em várias cidades da região, os candidatos se rendem à hostilidade barata que prejudica a política, sublimando que afasta as pessoas da política e o que afasta as pessoas de Maquiavel. Dia 7 não podemos nos deixar enganar por esses, devemos tentar, mesmo sendo, às vezes, tão difícil, enxergar o processo inteiro, ou seja, “sentir o que realmente é.”

Bruno Schaefer
graduando de Ciências Sociais

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