Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Aqueles que dizem que amor não enche barriga,
não sabem o que é gravidez.
POLUIÇÃO VISUAL
Enquanto almoçava, mesmo contra os meus princípios, assisti ao Jornal do Almoço da RBSTV. Nada contra esse programa ou a emissora. Simplesmente, não gosto de televisão. O tema de fundo do programa era a poluição visual das ruas de Porto Alegre, devida à propaganda feita através de cartazes publicitários, o autedor. Claro, os anglófilos escreveriam outdoor, mesmo sabendo, ou não – provavelmente, não – que a nomenclatura correta para tais cartazes publicitários, no país de origem do termo, é billboard ou singboard. Como antigo homem de publicidade (bem antigo já) fiquei alerta. Algo me dizia: vem chumbo grosso contra nós. O “nós” é apenas força de expressão, por já ter trabalhado no ramo. Veio.
A discussão se referia ao sucesso, em São Paulo, da campanha contra os cartazes. O “chumbo grosso” ali de cima, é que Sampa está mais limpo, mais bonito, mais seguro, enfim, mais natural.
Há tempos, nós – agora, o “nós” se refere a todos que circulam pelas ruas das cidades – ouvimos e lemos a respeito da grande ofensa representada por aquelas peças publicitárias. Sinceramente, não tenho nenhuma predileção especial por elas a tal ponto de defendê-las. Para mim, a propaganda, em qualquer de suas manifestações, pode ser boa ou ruim. É uma ferramenta das atividades de venda. Ela dá muito boas informações para quem deseja comprar algo, como mente descaradamente quando alguém deseja vender a qualquer custo. Quem a opera é o responsável pelo uso feito. Entretanto, responsabilizar uma de suas atividades, neste caso o autedor, por toda uma série de problemas, desde enfeiamento da cidade até uma agressão à natureza, parece-me atitude grandemente sectária.
Isto me faz pensar na pendenga existente, desde 1974, com a inauguração, também em Porto Alegre, do muro da Mauá, cuja finalidade é proteger o centro da capital das enchentes do rio Guaíba. Nestes quase 40 anos, é voz corrente, fundamentalmente nos meios intelecto-boêmios, que o muro separou a cidade do seu rio, numa tremenda falta de sensibilidade poética por parte do poder público. Sugerem que o muro seja derrubado para, no local, serem construídos restaurantes, lojas, palcos e, principalmente, bares. Todo mundo sabe, isso é bem mais natural que a proteção promovida pelo muro.
Não identifico qualquer processo de lesa-natureza ocorre quando vemos os cartazes na rua. São naturais as casas? Ruas são naturais? Canteiros de flores, geometricamente dispostos, são naturais? Automóveis ou – ei, pessoal! – bicicletas são naturais? Gosto de jardins, de bicicletas, de casas (o estilo ardecô, para prédios e móveis, é o meu preferido) e também de bares, mas preciso admitir: não são naturais e nem bonitos para todos. Não há unanimidade.
Arre! É muito chique falar em natureza sem abrir mão de água encanada, eletricidade e cervejinha estupidamente gelada!


