Embora respeitando opiniões divergentes, penso que um único fator não seja capaz de explicar o insucesso de nossos candidatos nas recentes eleições. Tenho ouvido, por exemplo, que o problema do Vale do Paranhana foi lançar muitos nomes. Para mim, trata-se de uma simplificação, que não sobrevive a uma análise mais aprofundada.
Vejamos: a soma de todos os votos obtidos por nossos sete candidatos à Assembleia não chega a 60 mil (já contando os votos granjeados fora da região). Se fossem apenas três candidatos – e cada um abocanhasse parcela semelhante desse eleitorado –, seriam menos de 20 mil para cada um. Insuficiente. Se conseguíssemos polarizar entre dois candidatos, ainda não daria 30 mil votos para cada, numa hipotética divisão igualitária. E é utopia crer que um único candidato pudesse unir os apoios de direita e esquerda. Ou seja: o número de candidaturas não é “o” problema, embora seja um dado relevante.
Deficiência mais grave é a falta de identidade regional e o consequente descompromisso da população “paranhanense” com seu lugar no mundo. Some-se a isso o fato de que importantes lideranças políticas daqui defendem candidaturas de fora, e está desenhado o quadro.
Como nossos representantes acabam não tendo poder de fogo para fazer campanha em outras cidades/regiões, onde poderiam buscar apoios para complementar a votação caseira, dá no que dá. E não conseguem por quê? Entre outras coisas, pela falta de apoio do empresariado, que poderia ajudar no financiamento das campanhas, visando ao crescimento da região. Ou seja: cada item tem seu peso nesta complicada matemática, e é muito fácil um empurrar para o outro a responsabilidade pelo fracasso regional. Mais difícil é assumir nossa própria parcela de culpa. Se fôssemos eleger um único item para mudar, qual teria impacto maior? Eu aposto no comprometimento com a região. É fácil alegar que “nenhum dos candidatos daqui era bom o suficiente para receber meu apoio”. Mas não soa verdadeiro: com sete opções diferentes, haveria pelo menos uma que inspirasse confiança ao eleitor… no mínimo, na comparação com candidatos de fora, que não conhecemos de perto e pouco fazem por nós. Mas muitos nem se deram o trabalho de buscar informações sobre os candidatos daqui, virando presas fáceis da publicidade mais poderosa de “forasteiros”.
Sessenta mil votos não são nem metade da capacidade do Paranhana: temos um contingente de 130 mil eleitores. Falta comprometimento e compreensão das carências regionais, fundamentalmente. Falta o eleitorado fazer a sua parte, antes de dar desculpas farrapadas.
Douglas Backes
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Esta postagem foi publicada em 12 de novembro de 2010 e está arquivada em Caixa Postal 59.


