
PORQUE A FOME E O FRIO NÃO ESPERAM
Há algum tempo, publiquei nesta mesma Miscelânea um texto sobre o Relatório da ONU sobre a fome no mundo no ano de 2020. Esse Relatório trouxe dados gritantes sobre a quantidade de pessoas que hoje sofrem com a fome no mundo. Vou relembrar alguns dos mais significativos números trazidos pela ONU, para fins de contextualização.
Segundo o Relatório, a fome atinge mais de 821,6 milhões de pessoas no mundo. Isso significa que aproximadamente uma em cada 9 pessoas passa fome no planeta. A cada 4 segundos uma pessoa morre de fome no mundo. Mais de 10 milhões de pessoas começaram a passar fome só em 2019. 2 bilhões de pessoas vivem em insegurança alimentar moderada ou grave, ou seja, vivem sem a certeza da próxima refeição. 149 milhões de crianças no mundo têm o crescimento atrofiado por conta da desnutrição. Em 2020, mais de 10 milhões de pessoas passaram fome no Brasil. Em contrapartida, 40% da produção alimentar do país foi jogada fora, o que seria suficiente para alimentar todas as pessoas que passam fome no país, 3 vezes ao dia.
Recentemente, oSecretário-Geral da ONU, António Guterres, advertiu o Conselho de Segurançaque, sem uma “ação imediata”, “milhões de pessoas” estarão em risco de sofrer “fome extrema e morte” no mundo. Em um novo Relatório, a ONU alerta que a fome aguda deve aumentar em mais de 20 países nos próximos meses sem uma assistência urgente e em grande escala.
Sabemos que essa assistência, principalmente em grande escala, deve ser feita pelo Poder Público; os governos têm a obrigatoriedade de cuidar de suas populações. Entretanto, sabemos que atualmente uma das menores preocupações do governo brasileiro é o povo em extrema pobreza e em situação de fome. Evidentemente, devemos seguir cobrando do Poder Público que cumpra seu papel, porém não podemos olhar para o nosso povo e não fazer algo que possa, de algum modo, alterar essa situação (mesmo que de forma momentânea e individualizada).
Neste sábado, dia 29 de maio, ocorrerá um Ato, promovido pelo Comitê pela Democracia do Vale do Paranhana (em consonância aos atos que serão promovidos em todo país em uma mobilização nacional promovida pelas Centrais Sindicais e Movimentos Sociais), em que haverá um drive-thru solidário na Rua Coberta, em Taquara. O formato em drive-thru foi escolhido por entender a importância de não promover aglomerações, sendo assim com responsabilidade e cuidado, o Ato, além de exigir “Vacina para todos e todas”, defenderá “Comida no prato”. O propósito é cobrar do Poder Público que cumpra as funções para as quais foi eleito, mas, conscientes de que palavras não alimentam o corpo, o Comitê promoverá uma arrecadação de alimentos e agasalhos que serão doados para entidades da sociedade civil da região do Paranhana que fazem trabalhos sociais, para que sejam distribuídos para famílias que necessitem.
Porque além de luta é preciso solidariedade e ajuda. Ou, é preciso olhar para além do nosso umbigo! Há mundo lá fora e nem todos têm as mesmas oportunidades que nós. Porque a fome e o frio não esperam. Porque vacinas salvam vidas. Porque ainda podemos ter esperança com exemplos como este!
Por Ana Maria Baldo
Professora, de Taquara
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