Duas portarias publicadas na edição desta sexta-feira do Diário Oficial da União são encaradas como a perspectiva de um novo momento para o Hospital Bom Jesus, de Taquara. A primeira delas, da Secretaria de Atenção à Saúde do Ministério, habilita o hospital como unidade de assistência de alta complexidade em oncologia (casos de câncer). A segunda portaria, assinada pelo ministro Ricardo Barros, define que o governo federal repassará R$ 5.067.184,55 por ano ao hospital para este serviço. O valor será pago já a partir deste mês de dezembro.
Em entrevista ao programa Painel 1490, da Rádio Taquara, o diretor-administrativo do Hospital, Heleno Severo, disse que não poderia ter uma notícia melhor para a casa de saúde do que a confirmação do credenciamento pelo Ministério da Saúde, ainda mais com a divulgação em meio a uma semana turbulenta para o Bom Jesus. Segundo ele, a partir de agora o hospital passa a ser referência para a alta complexidade, tendo um olhar diferenciado por parte do governo federal. O diretor agradeceu a todas as pessoas que se empenharam para o credenciamento, destacando a parceria da Oncoprev, e ressaltando que o Instituto Vida, desde que assumiu a gestão do Bom Jesus, se comprometeu em dar sequência a este credenciamento.
Em relação ao atendimento à comunidade, Heleno disse que os procedimentos vinham sendo realizados, mas o pagamento ocorria via processo administrativo. A partir de agora, passarão a ser diretamente pagos via contrato com o governo, o que torna o procedimento mais rápido. Além disso, Severo acredita que o recurso de R$ 5 milhões previsto pelo governo será um "enorme ganho" ao hospital, além de ressaltar outros procedimentos que serão possíveis, como mais consultas e exames de alta complexidade.
Também falando ao programa Painel 1490, da Rádio Taquara, o médico Paulo Morassutti ressaltou que são 14 anos de trabalho para obter o credenciamento junto ao Ministério da Saúde, com a participação de várias pessoas e agentes políticos da região e do Estado, bem como um abaixo assinado com a adesão de 46 mil assinaturas, em que, segundo Morassutti, foi demonstrado que a região não tinha boa assistência no atendimento aos casos de câncer, o que passa a ser transformado a partir de agora.
Morassutti ressaltou que o Bom Jesus passa a integrar uma rede de apenas 27 hospitais no Rio Grande do Sul que o Ministério da Saúde habilita e estabelece que possuem condições para tratar pacientes com câncer. Isso, na visão do médico, abrirá uma série de oportunidades ao hospital, com a possibilidade de atração de novos profissionais e serviços, de a casa de saúde crescer e contratar mais funcionários. Além disso, haverá o aporte direto de R$ 5 milhões da União, que, segundo Morassutti, não passará pelo governo do Estado. Com isso, o Bom Jesus deixa de ser dependente apenas dos recursos estaduais. O médico ressaltou que o Ministério costuma pagar em dia os seus compromissos.


