
Plantadas na rua General Frota, na esquina entre a Marechal Floriano e a Pinheiro Machado, as árvores junto à Praça da Bandeira, em Taquara, voltaram a causar polêmica. Os pés de jambolão, que já haviam sofrido poda na semana passada, agora tiveram seus troncos cortados rente ao solo. Questionada pela Rádio Taquara sobre o motivo dessa retirada de árvores, a prefeitura de Taquara informou que a ação faz parte de um projeto de revitalização do espaço público.
Na manhã desta quinta-feira (03), enquanto acompanhava a retirada dos troncos das árvores junto à Praça da Bandeira, a reportagem conversou com os vereadores Adalberto Lemos e Carmem Fontoura (ambos do PSB), que vistoriavam o trabalho realizado pela equipe liderada por Adilson Rodrigues, diretor do Instituto Vitória. A ação também foi observada por Luis Nunes, proprietário de uma imobiliária das proximidades da praça, e por Doli José de Oliveira, taxista do ponto na rua General Frota.

Conforme o vereador Adalberto, desde o início de 2021, a prefeita Sirlei Silveira (PSB) vem pensando em um projeto para que a comunidade volte a usufruir o espaço da Praça da Bandeira, deixando o local mais aconchegante e revitalizado, dando um movimento para esse espaço público que, há muito tempo, não é aproveitado pelos taquarenses.
“Vai haver uma revitalização que, a princípio, será custeada com R$ 200 mil de emenda do deputado federal Heitor Schuch (PSB), e mais R$ 300 mil do deputado federal Nereu Crispim (PSL). Foi passado pra nós, ontem [quarta-feira (2)], o projeto parcial, que ainda está em desenvolvimento, em que haverá três fornos instalados na praça, para que os produtores rurais possam assar pão e vender direto para o consumidor. E, após a retirada dessas árvores, o planejamento é plantar outras árvores, não mudas, para não prejudicar o meio ambiente”, explica o vereador de Taquara.
Apoiadora das causas ambientais, a vereadora Carmem conta que, assim como muitos taquarenses, num primeiro momento ela também sofreu um impacto negativo ao passar pela rua General Frota e ver o corte dos pés de jambolão. Por outro lado, ela ouviu os taxistas da rua, que relataram as dificuldades enfrentadas, principalmente com a sujeira e mau cheiro causados pelos frutos das árvores caídos na rua e calçada.
“Quero dizer para as pessoas, que estão preocupadas com a retirada dos pés de jambolão do entorno da praça, que o local não vai ficar sem árvores. Em breve serão plantadas árvores novas, nativas, e no momento certo a prefeita Sirlei [Silveira] vai apresentar o projeto de revitalização da praça. O primeiro impacto foi difícil, mas eu tenho certeza de que, nos próximos dias, a comunidade vai aplaudir o que vai ser feito aqui na praça. Tudo pensado para melhorar a vida do cidadão”, reforça Carmem.
Responsável pelo grupo que promove a limpeza diária da rua e também realizou a poda e o corte dos pés de jambolão, Adilson conta que, durante os trabalhos realizados no entorno da praça sua equipe ouviu mais elogios do que reclamações, vindos de moradores e comerciantes da rua, além dos frequentadores da Escola Estadual de Ensino Fundamental Rodolfo Von Ihering.
“A gente que varre aqui todos os dias sabe como a situação estava impossível, com um cheiro muito ruim, e muita sujeira. Hoje a gente cortou as árvores, daqui uns dias vão ser arrancados os tocos, depois vai ser feito o início da revitalização da praça. Enfim, é um processo que vai indo, é demorado, e as pessoas tem que entender que não tem como transformar tudo de um dia para outro, mas vai ficar muito bom. E daqui a seis meses, um ano, as pessoas vão ter uma opinião bem diferente da atual”, comenta o diretor do Instituto Vitória.
Taxista há 42 anos, seu Doli gostou muito do serviço realizado no entorno da Praça da Bandeira, e acredita que agora, sem a sujeira que havia nas calçadas, haverá muito mais movimento nas proximidades do ponto de táxi em que trabalha. “Eu achei ótimo esse serviço de poda e o corte das árvores, pois vai melhorar muito pra nós [taxistas]. Pois as frutas incomodavam muito, sujando nossos carros e até fazendo com que as pessoas evitassem passar nesse trecho da rua”, analisa o taxista.
Para Luiz Nunes, a polêmica toda envolvendo a retirada das árvores do entorno da Praça da Bandeira ocorreu porque as pessoas não tinham conhecimento do projeto de revitalização que está previsto para o local e, principalmente, do plantio de novas árvores que está programado, segundo informaram os vereadores Adalberto e Carmem.
“Não que eu fosse contra, mas me causou um impacto, num primeiro momento, e agora eu já estou concordando e achando que vai ser uma mudança para melhor, com certeza. A polêmica surgiu porque as pessoas não sabiam sobre o projeto de revitalização, e do plantio das novas árvores, achavam que essas árvores estavam apenas sendo retiradas. Fiquei sabendo agora, numa conversa [com os vereadores Adalberto e Carmem], o que vai ser feito na praça. E concordo plenamente com o que vai ser feito aqui”, garante o comerciante da rua General Frota.
O que diz a administração municipal
Em nota, a prefeitura de Taquara confirmou a elaboração do projeto, que incluirá espaço para o produtor rural e terá bancas para o artesanato local, e explicou que, além da sujeira provocada pelos frutos do jambolão, o que motivou o corte das árvores foi a segurança dos pedestres que circulam pela via pública, já que a fruta deixa o piso escorregadio. Confira a nota, na íntegra.
“A prefeitura de Taquara está em fase de elaboração do projeto para construção da Casa do Colono, na Praça da Bandeira, espaço que também abrigará a feira do produtor rural e as bancas de artesanato local. No ano passado, a arquiteta Ana Paula Braun já havia elaborado um projeto voluntário para revitalização da área de lazer, contemplando, além da feira, a arquitetura paisagística e jardinagem, com arborização adequada ao local. O planejamento do Município é de investir no plantio de árvores nativas, e não mais exóticas, como é o caso do Jambo ou Jambolão, que é uma espécie originária da Ásia.
A Administração Municipal, com a devida autorização e fiscalização dos técnicos da Secretaria de Meio Ambiente, Defesa Civil e Causa Animal, fez o corte de jambolões recentemente no local. O objetivo foi evitar acidentes e outros transtornos à população, uma vez que as calçadas estavam cobertas de frutos em decomposição, que por sua vez tornavam o piso escorregadio. Além disso, os frutos de coloração arroxeada mancham tecidos, calçamento e carros, o que gerava reclamação dos taxistas que ali trabalham e solicitavam uma solução ao problema, e as raízes grossas da árvore comprometem a calçada.”









