Presos voltam a ser algemados na frente da delegacia de Taquara devido à lotação de suas celas

Situação vem ocorrendo há cinco anos e meio
Publicado em 28/10/2021 11:45 | Atualizado em 28/10/2021 23:43 Off
Por Rádio Taquara
Foto: Divulgação/Polícia Civil

A Delegacia de Polícia de Pronto Atendimento (DPPA) de Taquara volta a enfrentar um sério problema com a lotação excessiva de suas celas, obrigando os agentes da Polícia Civil a algemar dois detidos na grade em frente à delegacia.

Conforme informações da DPPA, entre a noite de quarta-feira (27) e a manhã desta quinta-feira (28), foram registrados quatro autos de prisão em flagrante, dois por tráfico de drogas e dois por violência doméstica (Lei Maria da Penha).

Na manhã desta quinta-feira, enquanto aguardavam os presos mais antigos serem transferidos para algum presídio, liberando vaga em uma das celas da DPPA, dois detidos precisaram ficar na calçada, sob a custódia de policiais da Brigada Militar.

Segundo Fábio de Miranda Monteiro, escrivão policial plantonista e diretor do Sindicato dos Agentes da Polícia Civil do Rio Grande do Sul (UGEIRM) na região, as celas da delegacia de Taquara não oferecem estrutura e nem condições adequadas para que esses detidos fiquem vários dias, pois é um local apertado, sem água, totalmente insalubre.

“Essa situação mostra o caos que a gente vive na segurança. Aqui não é presídio e os presos nem deveriam estar aqui por tantos dias. E agora temos presos do lado de fora, aguardando vaga para entrar dentro da cela da delegacia e aguardar vaga em algum presídio”, relata o escrivão policial.

Fábio explica ainda que esse tipo de acomodação na delegacia de Taquara serve apenas para que o preso fique pelo período do flagrante. As celas em delegacias no Rio Grande do Sul não servem para abrigar presos por longos períodos, apenas para o período do flagrante, de duas a quatro horas, no máximo.

“Mas nós já estamos vivendo esse caos por três anos do governo estadual anterior e dois anos e meio do atual. Situação essa que prejudica, e muito, a população em geral, pois a nossa função é atender a comunidade de Taquara, não cuidar de presos. Isso é função da SUSEPE [Superintendência dos Serviços Penitenciários], nunca foi atribuição da Polícia Civil. Com isso, acabamos prejudicando a qualidade do nosso trabalho e ainda temos que dispender um servidor para atender os presos”, analisa o escrivão policial plantonista de Taquara.

>> Deixe sua opinião: