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Prevenção ao abuso infantil: especialistas alertam sobre sinais e proteção

Programa "Sextou no Painel" debateu sinais de alerta, riscos na internet e a necessidade de denúncia.
Laura Ostrowski Fontoura e Fernanda Lanz em debate realizado pela Rádio Taquara. Foto: Vinicius Linden

O programa “Sextou no Painel”, transmitido pela Rádio Taquara, discutiu nesta sexta-feira (31) um tema de grande relevância social: o combate à pedofilia e a proteção de crianças e adolescentes. O debate contou com a participação do jornalista Vinicius Linden, da consultora Érica Ostrowski e da psicóloga Laura Ostrowski Fontoura – integrantes fixos do programa, além da convidada especial, a psicóloga Fernanda Lanz.

Diferença entre pedofilia e abuso sexual

Durante o programa, as especialistas esclareceram a diferença entre pedofilia e abuso sexual. Segundo Fernanda Lanz, a pedofilia é um transtorno psiquiátrico caracterizado pelo desejo sexual por crianças pré-púberes, mas nem todos os pedófilos cometem crimes. No entanto, quando esse desejo leva a uma ação criminosa, a justiça deve atuar de forma rigorosa. Além disso, foi enfatizado que compartilhar imagens de crianças em situações de abuso também é uma forma de violência e deve ser combatido.

O papel da educação sexual na prevenção

Um dos pontos centrais do debate foi a importância da educação sexual para prevenir abusos. As especialistas destacaram que ensinar crianças desde cedo sobre seus corpos e seus direitos ajuda a protegê-las. No entanto, esse tema ainda enfrenta resistência social e política, o que dificulta sua implementação em escolas. “Educação sexual não é ensinar crianças sobre sexo, mas sim garantir que saibam identificar situações de risco e denunciar abusos”, ressaltou Laura Ostrowski Fontoura.

Riscos da internet e redes sociais

Outro aspecto abordado foi o perigo da exposição de crianças e adolescentes nas redes sociais. A facilidade de criação de perfis falsos e a rapidez na disseminação de conteúdos podem colocar menores em situações de vulnerabilidade. “Os pais precisam acompanhar o que os filhos fazem na internet e alertá-los sobre os riscos”, explicou Fernanda Lanz. Os participantes também destacaram a importância de não compartilhar conteúdos sensíveis que envolvam crianças, mesmo que a intenção seja denunciar um crime, pois isso pode expor ainda mais as vítimas.

Como identificar sinais de abuso infantil

O programa também orientou sobre sinais que podem indicar que uma criança está sofrendo abuso. Entre os sintomas citados estão mudanças bruscas de comportamento, isolamento, agressividade, medo excessivo de determinados lugares ou pessoas, distúrbios do sono e regressão em hábitos já adquiridos, como controle do xixi. Além disso, em casos de abuso físico, a criança pode relatar dores nas partes íntimas ou apresentar comportamento hipersexualizado.

A importância da denúncia e do acolhimento

A denúncia foi apontada como um passo fundamental para proteger as vítimas e responsabilizar os agressores. Canais como o Disque 100, do Ministério dos Direitos Humanos, e o Conselho Tutelar foram mencionados como meios seguros para relatar casos de abuso. Além disso, os especialistas enfatizaram que a família deve acolher e apoiar a vítima, evitando julgamentos e garantindo acompanhamento psicológico.