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Esta postagem foi publicada em 21 de junho de 2019 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Previsões, por Plínio Zíngano

Do “Meu cinicário” – A partir de que percentual, podemos anunciar ”últimas unidades”, “últimos ingressos”, ou qualquer tipo de “últimos…”, sem faltar à verdade?

PREVISÕES

A grande vontade do ser humano é prever o futuro. Vocês já ouviram falar das histórias e técnicas mitológicas – nunca é outra coisa –, envolvendo essa capacidade. Segundo nosso raciocínio mais lógico, sabendo o resultado de nossas ações, antes de tê-las feito, poderemos tomar atitudes que evitem resultados indesejados. É como fazemos, no presente, em relação a acontecimentos de nosso passado. Escrutinamos, minuciosamente, nossas ações, tentando extrair alguma aprendizagem. Chamamos esse pensamento de exame de consciência, mesmo não envolvendo moral ou ética, apenas resultados, favoráveis ou desfavoráveis a nós. Se conseguíssemos fazer tal aprendizagem antes de praticar ações prejudiciais, por conhecer de antemão os resultados, imaginem o poder que teríamos! Por isso, queremos conhecer o nosso futuro.

Entre os praticantes das liturgias divinatórias, pois sempre tem de haver uma liturgia para impressionar os incautos, temos adivinhos, magos, áugures, astrólogos, profetas (muito em evidência quando se fala em religião). As técnicas estão por aí às nossas ordens (bancárias, é claro), para a viagem ao porvir. Os pilotos, para a aventura, usam cartas, búzios, interpretação de sonhos, conversa com mortos (os necromantes – vide Theresa Caputo, A médium, no canal TLC da tevê fechada), numerologia, posição de astros, leitura de nuvens, o que se possa imaginar. Como o futuro é muito amplo, também a esperteza o é. Emprega-se de tudo para iludir quem permite ser iludido.

Essas mentiras vêm desde a antiguidade sem perdoar civilizações. Ao longo da História sempre houve oráculos, aproveitando-se, espertamente, da crendice e medo de seus componentes. Entretanto, a humanidade é superior aos pilantras conhecedores da vida futura dos clientes (embora desconheçam a sua própria). Conseguiu dar um ar de ciência às previsões, usando a coleta de dados de eventos pregressos. Veja-se a previsão do tempo. Não é informação 100% incontestável (o que invalida conhecimento de futuro), mas tem livrado muita gente de banhos de chuva ocasionais.

Feita a introdução, chego ao alvo: pesquisas de opinião. Apesar da cientificização da curiosidade sobre o futuro, nada se pode afirmar sobre ele. Empresas prognosticam, baseadas nas respostas individuais de um grupo populacional. Mas nem isto pode ser comprovado e, mesmo alguém tendo sido indagado, não haverá certeza do peso de suas opiniões na convicção final do perguntador. Não são confiáveis! Serão, talvez, atividades de relações públicas, para conquistar os membros do grupo “estudado”, influenciando decisões em prol do futuro de quem as encomendou. É o caso típico das pesquisas eleitorais. Por que haveria eleição se elas já teriam definido o eleito? Os pilantras não desistem.

Conclusão minha: não respondo a qualquer pesquisa. É total perda de tempo!

Por Plínio Dias Zíngano
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