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Esta postagem foi publicada em 17 de janeiro de 2022 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Problemas de educação, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – Dilema de Hefesto: sindicatos que fiscalizam o trabalho nos dias proibidos estão trabalhando nos dias proibidos. Bando de hipócritas.

 PROBLEMAS DE EDUCAÇÃO

Por diletantismo, somei o tempo empregado em minha educação formal, incluindo as duas pós-graduações (Especialização e Mestrado). Cheguei a 21 anos. Claro, esse resultado é pessoal. O normal seriam 19 anos, mas consegui cursar o equivalente ao atual Ensino Médio (o antigo Científico) em cinco em vez dos regulares três anos. Para minha satisfação, quando contava aos meus alunos – nunca escondi as minhas reprovações – eles não acreditavam e teciam espantadas palavras elogiosas: como podia? Pois é, eu pude! Tranquilizando minha vaidade escolar, são famosas as histórias de gênios que, na escola, não eram lá essas coisas. No Curso Primário (até a 5ª Série) e no Curso Ginasial (da 6ª a 9ª Série), levei muito a sério a escola. Estava sempre entre os primeiros das turmas. Naqueles níveis, eu “era lá essas coisas”.

Enfim, chegou o Científico. Fi-lo no Colégio Estadual Júlio de Castilhos, em Porto Alegre, após exame de seleção em 1960. Estava no auge da adolescência, mesmo sem ser daqueles reformadores do mundo para quem tudo está errado e basta uma revolução para colocar as coisas dentro dos conformes. Alistei-me no exército da Legalidade do Leonel Brizola, em 1961, aproveitando a renúncia de Jânio Quadros. Mas foi militância efêmera. Minha praia era outra. Desde então, aprendi como é ser usado pelos engravatados salvadores da pátria. Adolescências à parte, embora nas ciências humanas me saísse bem, nas exatas, nem de longe – bem de longe mesmo – poderia lembrar um Einstein. Em compensação, durante as aulas, lia livros. “A metamorfose” de Kafka, por exemplo, é do período juliano.

Por que remexo neste baú? Porque, apesar dos tropeços escolares, nunca me senti preterido em qualquer evento cujo mau desempenho pudesse advir daqueles insucessos. Ou seja, para mim, a escola cumpriu com sua finalidade. E assim foi até duas semanas atrás, quando vi um blogueiro, analisando, genericamente, a situação do ensino brasileiro. Classificou-o de sofrível e citou, entre outros argumentos, a formação de pessoas que não conseguem entender um manual de qualquer coisa. Pensei: é comigo! Tenho total dificuldade nesse departamento e acrescento, ainda, a incompreensão de tutoriais informáticos. Mas caio atirando! Manuais e tutoriais deveriam ser escritos por profissionais que soubessem escrever. Não basta conhecerem suas especialidades. Deveriam, também, saber como se comunicar com seus leitores. Concluí: eles não sabem. Antes de encerrar, informo: resolvi minhas diferenças com as exatas. A curiosidade me incentivou.

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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