O pequeno exército de leitores chega carregado de livros à Praça Marechal Deodoro e aos poucos toma conta de todo o espaço. O encanto pela literatura ganha novo sentido para cerca de 60 alunos da Escola Municipal Calisto Eolálio Letti. Semanalmente, as crianças descem do educandário – no bairro Fogão Gaúcho – e seguem até o centro, onde fazem leituras para os pedestres.
Quem conta as histórias são as crianças. Cabe aos pedestres pararem e prestarem atenção. A atividade acontece através do projeto “A arte de ler a vida”, e é realizado com três turmas em diferentes dias da semana. Os estudantes têm entre oito e 14 anos. Alguns aprenderam a ler há pouco tempo, outros já se equilibram melhor nas letras traçadas nos livros. Para a professora do 3º ano, Ezolete Rhodes da Silva, o momento é significativo e de grande prazer. “Quando eles estão lendo, percebem como podem fazer a diferença na vida do outro, como podem encantar através da literatura.”
Até mesmo os que não sabem ler participam dos encontros, e interpretam as figuras ilustrativas das histórias conforme a imaginação. Sentados nos bancos da praça ou em pé, os alunos não deixam escapar ninguém sem que ouça um pouco de literatura. Lisiane Lopes e Kelvin Evander, ambos do terceiro ano, garantem que amam a atividade. “Eu me sinto feliz quando leio”, externou a menina. Para a professora Ezolete, ao estimular os estudantes a ler a terceiros, também se fomenta a vontade de melhorar a leitura e a interpretação das narrativas.
A diversão dura cerca de meia hora, entre as 14 horas e 14h30min. Parece pouco, mas é o suficiente para cativar os ouvintes. Iolando José da Silva passava pela praça enquanto aguardava o ônibus para voltar a São Francisco de Paula, onde mora. Ao ser abordado por um aluno, ficou encantado com os pequenos leitores. “Na minha época não tinha este tipo de incentivo, eu achei muito bacana”, pontuou ele, que aprendeu a ler aos 20 anos.
Matéria publicada na edição impressa de 03/07/2015.


