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Proibição de bicicletas no Parque do Trabalhador gera críticas de associação de ciclistas de Taquara

A decisão da Prefeitura gerou críticas da ATAC e questionamentos sobre planejamento e infraestrutura na cidade
Bicicletas estão proibidas no espaço público (Foto: Divulgação/Mateus Portal)

Taquara, cidade reconhecida como berço do ciclismo do Vale do Paranhana e sede de uma das associações de ciclismo mais antigas do Rio Grande do Sul, enfrenta polêmica após a decisão da prefeitura de proibir o tráfego de bicicletas no Parque do Trabalhador. A medida tem gerado críticas de integrantes da Associação Taquarense dos Amigos Ciclistas (ATAC), que reúne praticantes de mountain bike, ciclismo de estrada e modalidades inclusivas.

Em publicação nas redes sociais, a ATAC questionou os cidadãos: “Taquara, cidade que abriga a maior equipe de mountain bike downhill do Brasil e atletas de destaque estadual e nacional, hoje proíbe o uso de bicicletas em espaços de lazer. Amigo ciclista, qual é a sua opinião sobre a decisão da prefeitura?”, diz o post.

O integrante da ATAC, Humberto Klein, disse que a entidade recebeu a notícia “sem espanto”. Ele relata que, em 2023, após anos pedindo um espaço dedicado ao ciclismo, a prefeita e dois secretários se comprometeram a criar um projeto de pista de pump track no parque. “Duas semanas depois, a mesma área foi destinada a outro uso, mostrando a falta de comunicação interna”, afirmou Klein.

Diante da situação, ele criticou a falta de diálogo entre os setores da prefeitura. “Parece a banda do Chaves: cada departamento toca em um ritmo diferente”, ironizou.

Segundo ele, a proibição foi motivada por uma minoria que não respeita as regras do parque, mas a infraestrutura para ciclismo no local ainda é insuficiente. “Na última vez que estive lá, nem sequer havia bicicletário. Quem quisesse ir de bicicleta para caminhar no parque não teria onde deixar o veículo”, afirmou.

Klein também criticou o uso de recursos públicos e a falta de planejamento. “A quadra de futebol society custou R$ 600 mil. Com esse valor, poderiam ter sido construídas duas pistas de pump track, que atenderiam ciclistas, skatistas, patinadores e até crianças com mobilidade reduzida. Além disso, sugerimos transformar áreas ociosas em calçadões para manobras ou estacionamento, mas nossas ideias não foram aproveitadas”, relatou.

Sobre a pista de pump track – um circuito de curvas e ondulações para bicicletas, patins ou skates –, Klein destaca que se trata de uma estrutura multiuso, inclusiva e com baixo custo de manutenção, capaz de sediar competições estaduais e nacionais.

“Nós nos dispusemos a colaborar com a manutenção básica da pista, mas quando não há interesse da prefeitura, nada acontece”, disse.

Nas ruas

A ATAC ainda aponta problemas na sinalização e segurança das vias. Segundo Klein, acidentes já ocorreram na Rua Nestor Paulo Hartmann (bairro Recreio), onde um ciclista foi atropelado ao utilizar a ciclovia. A associação propôs também a criação de ciclorrotas em ruas que não comportam ciclovias, com pintura de símbolos no chão e placas de alerta, mas até hoje não houve retorno da prefeitura.

A medida

A prefeitura de Taquara anunciou intensificação da fiscalização no Parque do Trabalhador para coibir a circulação de bicicletas em áreas destinadas a pedestres, amparada pela Lei Municipal nº 6.630/2022, que já proíbe o uso desses veículos nesses trechos.

A medida, justificada pela administração como uma forma de melhorar a segurança e o bem-estar dos frequentadores que caminham ou usam o espaço para lazer, prevê penalidades e o recolhimento das bicicletas que estiverem na pista ou cometerem infrações, com devolução condicionada à retirada em até 30 dias ou doação caso isso não ocorra.