
Do “Meu cinicário” – Se um “pai de pobres” tem riqueza de milhões, apesar de os filhos continuarem pobres, algo me diz que esse pai é um hipócrita inescrupuloso.
PROMESSAS
Quem leu esta coluna no último dia 18 de dezembro, lembrará o “Meu cinicário” falando sobre a dificuldade de cumprir promessas. E citava, como exemplo, aquelas de fim de ano. Mas quero voltar ao assunto. Até porque é o assunto mais atual possível: os desejos de um novo ano feliz e sem problemas. Obviamente, todos sabemos, os desejos são votos comunicados por verbos no Modo Subjuntivo de conjugação verbal. Olhem aí aqueles estimados leitores que nunca entenderam a razão de se estudar os modos verbais nas aulas de Português no tempo de escola. Usa-se o Subjuntivo quando se fala de eventos com possibilidades de serem efetivados, porém – talvez, oxalá, quem sabe, tomara – dos quais não temos certeza de efetivação. As promessas, por sua vez, são externadas por verbos no Modo Indicativo, tempo Futuro. Ninguém diz “eu acho que vou cumprir minhas promessas!”. Elas dependem de nós. Se não somos enfáticos, ninguém acredita. Esse não é o caso dos desejos de um bom ano-novo, por exemplo. Dependemos totalmente de fatores externos à nossa vontade.
Foi durante estas conjeturas que decidi dar uma roupagem diferente aos usuais votos de um ano melhor a partir de 1º de janeiro. Todos os votos a mim endereçados, desejando felicidade, riqueza e saúde, foram muito bem-vindos. Ah!, se foram! Acredito, de verdade, na sinceridade deles, embora seja difícil quantificar cada um dos itens postos em pauta, principalmente o último. Sim! A felicidade é coisa mais instável de nossa existência. Vemos felicidade na riqueza e na pobreza. Daí, aproveitando a deixa, olhemos a riqueza. Ela, tal qual a felicidade, varia de acordo com quem está falando. Cada um de nós se sente feliz ou infeliz; cada um de nós se sente rico ou pobre; finalmente, cada um de nós sente algo de ruim em sua saúde, mas sempre vê alguém em situação considerada pior. Ou seja, os votos de próspero Ano-Novo, embora sinceros, são, apenas – aproveitando um vocabulário bem moderno – fake news.
Daí, as minhas promessas! Prometo jamais interferir no pensamento de ninguém; prometo ajudar meu próximo, quando considerar pertinente (recusando prejudicar minha vida ou a de outrem); prometo cumprir deveres contratados sem auferir vantagens ilícitas; prometo evitar seguir líderes, mesmo quando parecerem um salvador da pátria.
Viram? São poucas decisões. Elas dependem apenas de mim, sem ajuda de qualquer força extra-material. Feliz ano-novo!
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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