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Esta postagem foi publicada em 5 de julho de 2013 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Protestos

Do meu tuíter @Plinio_Zingano – Keep calm, presidenta! Os baderneiros só estão construindo o currículo para depois usar na vida política. A senhora sabe como é.

PROTESTOS

Você já ouviu falar em flash mob? É uma expressão inglesa, significando rapidez (flash) de um grupo de pessoas (mob). A expressão denomina aquelas reuniões em locais públicos, aparentemente, de forma espontânea, executando uma mesma ação. Existem, por exemplo, flash mobs de dança, de orquestras, de cantores, de ginastas. E sabe como são montadas as mobs? São combinadas pela internete, principalmente pelo Facebook. Em Taquara e Parobé, já tivemos realizações desse tipo. Querendo mais exemplos, alguns bem interessantes – prefiro os de música -, basta ir ao YouTube. De todo o jeito, as flash mobs, normalmente, são criações de ordem artística. Mas nem só, como vemos nos dias atuais.
Antes da internete, um evento desses seria mais difícil de organizar, embora existisse a possibilidade. Havia o jornal, o rádio, o telegrama, a carta, o telefone convencional para realizar o convite. O problema com essas mídias era o preço, acrescido da lentidão e incerteza na resposta. Admita-se que, hoje, com um computador ou telefone celular, mesmo pagando o provedor de internete (quase de graça pela utilidade; mas a gente pode fazer um protesto contra), ficou mais simples combinar qualquer encontro. Não esqueçamos, o mob flash não passa de um encontro.
Um dos vieses do mob é a reunião política. Há anos ouvimos que “ninguém faz nada contra este descalabro” (ontem, ouvi mais uma vez), que o “povo brasileiro merece as dificuldades” do dia a dia, pois não reclama. Então, aparentemente, o povo resolveu esquecer o não-faz-nada e partiu para as veras num gigantesco flash mob, com os indefectíveis aproveitadores, tanto no vandalismo como dos frutos políticos de qualquer suposta liderança. A História está repleta deles. Só para exemplificar, cito Daniel Cohn-Bendit, da revolta francesa de 1968, agora deputado do Parlamento Europeu e Lindbergh Farias, dos caras-pintadas, de 1992, hoje senador brasileiro.
Com isso, as ruas brasileiras se encheram de cartazes com eslôgans de mobilização, muitos tirados diretamente da publicidade, atividade fundamental no capitalismo, o sistema econômico amaldiçoado por grande parte desses movimentos protestatórios (“Vem pra rua”, da Fiat; “O gigante acordou”, do maravilhoso uísque Johnnie Walker). Dos noticiários, pincei, ainda, mais dois: “País mudo não muda” e “Paz silenciosa não é paz. É medo”. Esse último é variante das palavras de Lincoln: “Pecar pelo silêncio, quando se deveria protestar, transforma homens em covardes”. São jogos linguísticos bem construídos que atraem, excitam e incitam as pessoas, mas que poderiam ser alvo de muita discussão. Confesso que fico desconfiado, vendo alguém falar de coragem, escondido sob a tal máscara do Anonymous ou qualquer outra. Das máscaras morais, só poderemos falar com o passar do tempo.
A minha posição com relação à situação presente está expressa lá em cima, no meu tuíte, aproveitando uma frase de propaganda para os ingleses manterem a calma durante a Segunda Grande Guerra, transformada, atualmente, em eslôgan de muito sucesso. E, já que Abraham Lincoln tem sido lembrado nestas mobs, rebato com Thomas Carlyle, escritor e historiador escocês do século XIX: “Não acredito na sabedoria coletiva da ignorância individual”.

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