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Esta postagem foi publicada em 10 de maio de 2021 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Pura Implicância, por Plínio Dias Zíngano

Do “Meu cinicário” – São tempos por demais “científicos”. Logo os consórcios de imprensa noticiarão infestações viróticas em embalagens de álcool em gel.

PURA IMPLICÂNCIA

No “Meu cinicário”, tenho uma frase da qual gosto muito. Aliás, já a usei como tema de abertura de uma das minhas crônicas. É “Em tempos de tanto ativismo implicante, eu – sempre implicante – me declaro, total e definitivamente, ‘inativista’. Quer implicância maior?”.

Espero, muito além de um mero jogo de palavras, ter passado uma mensagem de ironia e de postura político-social. Gostaria de atingir muita gente com ela. Não atingir, é claro, no sentido físico, pois sou, definitivamente, um pacifista. Minha intenção não é ferir. Todavia, em contrapartida, meu objetivo é algo mais pretensioso e profundo. Gostaria de chegar ao pensamento. Ah, sei, isto é o desejado por todos os metidos a dar conselhos e, no caso em discussão, a cooptar militantes. Isto me dá tranquilidade para continuar agindo (“agindo”? – não é ironia) assim. Não estou querendo ser nenhum destaque dentre tantos surgidos. Os prováveis ativistas angariados por minhas palavras não precisarão participar de passeatas, alistarem-se em grupos de luta, fazer panelaços, buzinaços, manifestarem-se em tuítes, mensagens do Facebook ou outros desses tipos de eventos tão ao gosto desses líderes (ou prepostos) de direita, esquerda, ao alto, abaixo, à frente ou atrás ideologicamente falando. Basta ver as tolices ditas e feitas em nome de qualquer movimento de massas.

Apenas, descrevo meu modus operandi. Se falhar na minha intenção, nada vai mudar em minha maneira de ser, pois jamais aspirei a postos de comando de natureza pública. Posso até concordar com uma ou outra manifestação das citadas, mas nunca participarei de nenhuma. Já vivi dois desses acontecimentos de mudança de estátus social, graças a ativismos mais ousados: um durante a adolescência e o outro nos primeiros anos da maioridade. Olhando, agora, na distância do tempo, concluo: sempre haverá aventureiros, tentando mostrar quem manda. Para mim, isso não serve mais. O ativismo é um legítimo caso de estelionato, mediante ameaças de danação eterna e promessas de felicidade total. Acredito no sistema democrático de gerência de nações posto em ação pelo voto. Embora frágil – por isto a constante tentativa de solapa – ainda é o mais equânime possível entre os já testados em todo o mundo. Quando praticado honestamente, claro!

Tendo começado, com o uso de uma citação, termino com outra que serve bem para o epílogo: “Quando lhe sugerem esquecer velhos ranços políticos, estão, apenas, querendo que você tenha novos ranços políticos. Seis por meia dúzia!”.

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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