Do “Meu cinicário” – Exigem monopólio estatal em tudo, mas, para justiça e saúde pessoais, se entregam a ricos e capitalistas advogados e médicos. São hipócritas!
QUEM NÃO SE COMUNICA…
Hoje, o título do comentário nos remete ao mais famoso bordão de José Abelardo Barbosa de Medeiros, conhecido, artisticamente, por Chacrinha nos mundos televisivo e radiofônico brasileiros. A frase completa é “quem não se comunica se trumbica”. O significado óbvio do verbo “trumbicar-se” é ter mau resultado em alguma coisa, lembrando que ele é uma variante de “trombicar”, cujo sentido é manter relações sexuais. Daí, já dá para entender o seu uso!
Nestes dias com distanciamento social, uma medida, entre tantas, tomadas pelos governos nacionais na luta contra a disseminação do novo coronavírus, tentando evitar a COVID-19, doença provocada por ele, nós temos recebido uma grande quantidade de informações pelas mídias tradicionais e pelas ditas mídias sociais a respeito do seu desenvolvimento. Mas não podemos esquecer que esta é uma área política bastante sensível, predisposta a muitas ilações, aliás, nem sempre feitas com cabeça fria.
Eu, por exemplo, tive uma decepção com o país sede do surgimento da então, apenas, epidemia. A China, embora seu perfil ideológico conflitante com o meu, vinha, ao longo dos anos, trilhando o caminho do progresso como imaginado por mim. Vi, com satisfação, o surgimento das suas indústrias e comércio em nível internacional. Jamais, por exemplo, ridicularizei um produto chinês pelo simples fato de ser chinês, algo bem comum entre nós. Dessa culpa estou isento. Porém, tudo começou a desmoronar devido a um ato insano dos dirigentes do velho país de Confúcio: ocultaram um fato científico importante para o mundo, sufocando a informação do médico primeiro a alertar sobre uma nova doença potencialmente letal. Seu aviso foi suprimido e ainda o obrigaram a se retratar, publicamente, por espalhar notícia falsa para causar terror. No entanto, não era fake news e o controle social da mídia, a abominável censura, funcionou! Quando muita gente reclama que outros países demoraram a reagir ao surgimento da terrível ameaça à saúde pública, não devemos esquecer essa atitude politicamente maluca.
Voltando ao Chacrinha, excesso comunicativo também cria problemas, pois nem todos entendem as notícias com o mesmo viés pretendido pelos emissores. E aí, mesmo se comunicando, a gente também pode se trumbicar. Mas, neste caso, é melhor pecar pelo excesso. Informação nunca é demais.
Por Plínio Dias Zíngano
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