Geral

“Quem rouba pouco é ladrão, quem rouba muito é Barão e quem mais rouba e esconde passa de Barão a Visconde.”

“QUEM ROUBA POUCO É LADRÃO, QUEM ROUBA MUITO É BARÃO E QUEM MAIS ROUBA E ESCONDE PASSA DE BARÃO A

“QUEM ROUBA POUCO É LADRÃO, QUEM ROUBA MUITO É BARÃO E QUEM MAIS ROUBA E ESCONDE PASSA
DE BARÃO A VISCONDE.”

 – Capítulo Primeiro –
Estes versos, que eram cantados nas ruas do Rio de Janeiro, em 1810, mostram que a corrupção e a impunidade eram práticas muito comuns e conhecidas da sociedade, desde a vinda da Família Real para o Brasil.
A coisa pública sempre foi tratada, em nossa pátria, como “coisa nossa” e, aí, está a raiz da corrupção. A palavra corrupção deriva do latim “corruptus”, que significa tornar pútrido, podre. Numa definição, lato senso, significa o uso ilegal do poder político e financeiro de organismos ou agências governamentais com o objetivo de transferir renda pública ou privada de maneira criminosa para determinados indivíduos ou grupos de indivíduos ligados por quaisquer laços de interesse comum.
A população brasileira não tem quaisquer interesses pela esfera pública. Padece de analfabetismo político. Não só a classe pobre padece desse mal, mas, também, grande parte da classe dotada de cultura. Os cidadãos honestos e éticos não tomam conhecimento da política e muito menos querem participar, ativamente, dela. Alegam que não querem-se incomodar.
É muito preocupante saber-se que pessoas esclarecidas, dotados de curso superior (médicos, advogados, dentistas, engenheiros, professores, administradores, contadores e outros), também, se tornam pessoas apolitizadas (ignorantes, politicamente), incapazes de demonstrarem sua indignação.  Intelectuais como os demais cidadãos comuns, estão perdendo esse importante poder, o que representa um risco enorme para o Estado Democrático de Direito.
Parte da sociedade brasileira, por outro lado, fica indignada quando um Juiz de Futebol não aje, corretamente, dentro do campo. Esta torcida enfurecida é capaz de demonstrar sua fúria, invadindo os gramados e quebrando tudo que está em sua frente. Por outro lado, assiste impassível os deputados e senadores aumentarem seus salários, descaradamente, num percentual de 62%, sem nada protestarem. São capazes de sair às ruas, para rebolar seus traseiros, durante três noites de carnaval, mas ficam em casa, tranquilos, assistindo as notícias, a respeito do famigerado “mensalão”, onde dezenas de políticos se beneficiaram com dinheiro público e até hoje não foram punidos.
As praças públicas estão vazias. Onde estão os caras pintadas que protestaram contra o governo de Collor de Mello? Onde estão os petistas que iam às praças e ao Parlamento protestarem contra a corrupção dos Governos anteriormente estabelecidos? Onde está a oposição brasileira? Respondo: estas forças, hoje, estão cooptadas, contando dinheiro que vem dos impostos arrecadados pelo Governo ou da atividade privada.
As redes sociais, em nossos dias, são a grande arma do povo para arregimentar pessoas para grandes demonstrações públicas de descontentamento com os desmandos dos políticos, com a violência, com o caos na saúde e com a corrupção. Mas é preciso que haja um norte; é preciso que se estabeleça um rumo. Os movimentos atuais que estão surgindo, aos poucos, como o da Cinelândia, em setembro deste ano, onde 2500 pessoas compareceram para protestar, não são representados por organizações partidárias, nem por sindicatos, nem por quaisquer associações. Estes movimentos estão sendo chamados de “sem-políticos”, não dependem de quaisquer lideranças já estabelecidas. Por um lado é bom, pois as pessoas podem se vincular a esses protestos sem medo de estar apoiando grupos com os quais não têm simpatia alguma.
A OAB, nos últimos dias, tem organizado e realizado protestos, em várias capitais, contra os atos de corrupção. Nosso voto de louvor a essa entidade que tem se notabilizado, juntamente com a imprensa e o Ministério Público, na luta contra os desmandos dos poderes legislativo, executivo e judiciário.
Onde está a Maçonaria? Que sempre lutou pela liberdade, igualdade, fraternidade e dignidade da humanidade?  Mas este é assunto que será tratado em outro momento.
Continuemos. Martin Luther King disse certa vez: “Quem aceita o mal sem protestar, coopera com ele”.
Não podemos mais permanecer omissivos. Devemos, sempre que possível, manifestar nossa indignação, contra as coisas erradas que acontecem em nossa comunidade, em nosso Estado e em nosso País. Temos que assumir uma postura responsável, para assegurar a nossos filhos e netos um futuro melhor, legando-lhes uma nação digna, ética e respeitada pela ordem mundial.
Gilberto do Amaral Saraiva
Advogado – Procurador Federal Aposentado
e-mail: [email protected]

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