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Esta postagem foi publicada em 25 de março de 2022 e está arquivada em Haiml & etc..

Rascunhos sobre o Oscar 2022, por Luiz Haiml

RASCUNHOS SOBRE O OSCAR 2022

Dia 27 é dia de Oscar, a premiação máxima do cinema. Sempre digo que quem está no páreo, por alguma razão, está por merecer. Mas a produção para as telonas é muito grande, e mesmo em tempos de Covid, surpreende a quantidade de produções realizadas, e assim acaba muita coisa boa ficando de fora. Talvez devessem aumentar um pouco mais o número de concorrentes. Mas isso não é de menos, o que é estranho é que filmes como “Cyrano”, que tem uma atuação digna de entrar na história do cinema do pequenino/grande Peter Dinklage, esteja concorrendo apenas a Figurino. Também Bradley Cooper, magnífico em “O beco do pesadelo”, não está na lista, assim como o jovem Jared Leto, impressionantemente irreconhecível no papel de um homem bem mais velho, um dos herdeiros da família Gucci, em “Casa Gucci”, não aparece na categoria Coadjuvante, da mesma forma em que foi desconsiderado o elenco do delicioso “Licorice Pizza”.

Das meninas, Melhor Atriz, Lady Gaga ficou fora, pena. Mas as concorrentes são de peso, todas estão muito bem. Acho que vai dar Jéssica Chastain. O filme mais cotado, embora não seja o meu preferido, é “O Ataque dos cães”.  Não é a temática cowboy gay que me desagrada nele, mas  não dá para negar que essa limita muito o universalismo que um filme de Oscar, eu creio, deve ter, principalmente nos nossos tempos, e, ainda acaba com um crime. Ops, dei spoiler. Crime que eu não tinha nem sacado que tinha sido um crime, kkk.       

Para mim, um filme grandioso, não só em horas, as quais não se vê passar, mas que tem um diálogo maior e mais profundo com a plateia, e pelo modo como faz isso,  de ver e rever, é “Drive mycar”.  Concorre a Melhor Filme e Melhor Filme Estrangeiro.

    “Olhe para cima”, apesar de seus exageros satíricos, seria minha outra opção. Há também “O beco do pesadelo”, que apesar de já ter uma versão bem antiga, teve seu texto mais amplamente trabalhado, ampliado, aprofundado, e se fez numa obra que para mim se tornou cult e assim desculpa os anteriores “A forma da água” e “A colina escarlate”, do diretor Guilhermo del Toro, que não me impressionaram nenhum pouco.

“Amor, sublime amor”, me recuso ver o remake, o original está na minha lista dos que não deveriam ser refilmados, dos clássicos imexíveis. Imaginem remakes de “Casablanca”, “Bonequinha de luxo”, “2001”, heresia. Mas o grande Spielberg caiu na bobagem de fazer a sua versão de tal musical, e rendeu da crítica que seu filme “embora seja tecnicamente fascinante, passou longe da intensidade do original”. Ora, Spielberg, em vez de se meter em refilmagens, tem cacife suficiente para produzir material original e fazer algo do nível de “Em um bairro de Nova York”, brilhante/emocionante musical que injustamente ficou fora do prêmio do próximo domingo.

Quanto à canção, se tem 007 no páreo, esqueçam os outros concorrentes. Nos Efeitos Especiais, “Matrix 4” o pior filme da franquia, não entrou. “Duna” compete. Embora “Duna” já tenha uma  versão cinematográfica, e também uma série de Tv, o diretor Denis Villeneuve decidiu por nas telonas o projeto de seus sonhos. Seria épico se ele conseguisse levar todos os livros às telas. O novo Homem-Aranha também está no páreo. Eu que sou fã da saga literária dunesca, gostei do que vi, e eu que sou também fã do cabeça de teia,  fiquei com uma mão atrás com o seu novo filme. Temos também “Shang-Chi”, mas “Duna” parece bem menos computação do que os anteriores, por isso merece ganhar.

Categoria Filmes Estrangeiros, gostei de todos que vi.  O criativo, mas amargo, “A pior pessoa de todas”; “A mão de Deus”, engraçado e ao mesmo tempo melancólico pedaço da juventude do cineasta Paolo Sorrentino, que nessa obra referencia/reverencia os diretores italianos que o levaram a também ser cineasta. Desta categoria, por não estarem ainda devidamente disponíveis, não sei se vai dar tempo de ver a aclamada animação dinamarquesa adulta “Flee” ou “A felicidade das pequenas coisas”, um filme do Butão sobre um professor com grandes sonhos que acaba sendo enviado a um lugarzinho no fim do mundo.

Então, até domingo, às 22h, na TNT. E façam sua apostas.

Por Luiz Haiml
Professor, de Taquara
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