Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 28 de junho de 2013 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Recordações Juninas

Há cada passo da caminhada escuta com mais sonoridade aquela cantoria. Ouve-se até as flores gorjearem. Ela acredita que o som vem, lá, daquele jardim de infância. Aproxima-se e enxerga, através do olhar, pela janela, as crianças cantarem. Fica imóvel alguns instantes. A jovem com sorriso nos lábios contempla aquela cantoria. Segue seu caminho entoando cai, cai, balão. Cai, cai, balão, aqui na minha mão. Não cai não, não cai não. Cai na noite de São João.Inconscientemente recorda das festas do mês de junho.
Tudo passa, os valores mudam, mas os festejos juninos estão enraizados na memória de Sofia. Lembra-se do avô Maneca, quando lhe contava a origem da Festa de São João. Dizia que esta festividade vem de Portugal. Falava também que a bagagem cultural da época vinha dos espanhóis, chineses e franceses. Ele continuava a historiar. Senta Sofia, escuta. Os fogos de artifício, como as bombinhas, estourinhos, rojões, busca-pés e tantos outros tiveram influência da cultura chinesa.
Meu avô gostava de ler. Viajava muito pouco, mas adquiriu conhecimento e sabedoria através dos livros. É junho do ano de 2013. Sofia faz parte da diretoria dos ex-alunos de sua escola. Poucas semanas antecedem aos festejos do mês. Reúnem-se todas as noites. Numa dessas reuniões passa um tempo e conta suas lembranças. Sofia conta da brincadeira dos busca-pés. Diz ela, aquele foguete, deslocava-se velozmente e rente ao chão. Buscava os pés daqueles que estavam próximos. Que gritaria! Todos corriam e se divertiam.
Tradicionalmente os ex-alunos organizam a festa de São João. O planejamento está concluído. Seu grupo está encarregado da decoração e divulgação do evento. Distribuíram cartazes em vários estabelecimentos comerciais. No pátio da escola penduraram bandeirinhas, lanterninhas e correntes. Muitos balões coloridos e folhas secas de coqueiro decoram o portão de entrada. Confeccionaram também outros cartazes. Quiseram contar um pouco da história, simbolismo, rituais, simpatias e lendas desta festividade. Num desses cartazes está escrito a lenda da fogueira de São João. Diz-se que Santa Isabel era muito amiga de Nossa Senhora. Uma tarde foi visitá-las. Contou-lhe que dentro de algum tempo nasceria seu filho João Batista. Nossa Senhora perguntou como poderia saber desse momento. Vou ascender uma fogueira. Santa Isabel cumpriu a promessa. Certo dia Nossa Senhora avistou uma fumaceira, e depois chamas vermelhas. Isso se deu em 24 de junho. Nesse embalo os organizadores cantam, São João, São João, ascende a fogueira do meu coração.
Noutro dia os ex-alunos, integrantes da diretoria, foram conversar com a diretora da escola. Esta demonstrou preocupação com a segurança dentro do evento. Inclusive os pais dos alunos também questionaram a realização da festa em meio a esses vândalos e movimentos de protestos nas ruas. Querem resolver a situação contratando a Brigada Militar. O serviço solicitado será ficar de alerta próximo ao estacionamento e entrada da escola.
Elisabeth Sauer,
artista plástica, de Taquara

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