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Esta postagem foi publicada em 28 de dezembro de 2020 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Reflexões Natalinas, por Plínio Zíngano

Do “Meu cinicário” – Prescrição penal e indulto de Natal mostram a leniência do Estado, incentivando a criminalidade. Nem todos são iguais perante a Lei.

REFLEXÕES NATALINAS

Eu pretendia escrever este comentário, usando o título acabado de ler, com um outro significado. Minha intenção era indicar a elaboração do texto no dia 25 de dezembro, o Natal – como, efetivamente, está sendo –, mas sem ligação com o significado religioso tradicional. Seria algo como uma reflexão “dominical”, se tivesse sido escrita num domingo, embora não tratasse de qualquer coisa referente ao dia da semana mencionado. Porém, três fatos, daqueles capazes de alterar minha intenção, alteraram a dita cuja. Não são coisas tristes. São, apenas, observações de um cronista, com as quais você, leitor, poderá concordar ou das quais discordar.

          O primeiro item a tratar é uma mensagem entre tantas circulantes nesta época. Diz: “Que o mais simples seja visto como O MAIS IMPORTANTE! Feliz Natal!” (mantive a disposição gráfica do texto). Acompanha uma imagem de Jesus e seus pais. Obviamente, entendi a mensagem subliminar. Quero, entretanto, ampliar seu significado. O mais importante é tudo ser simples. Evitemos, penso, criar a gradação de mais valor e menos valor, embora as coisas sejam assim. A  desadaptação a essa realidade só nos cria muitas dores e decepções, o que não deveriam ser os bons votos natalinos.

        O segundo ponto, foi a declaração de uma apresentadora de televisão, por quem tenho simpatia, feita ainda há pouco num programa. Disse ela que a situação pela qual estamos passando (provavelmente, referindo-se à pandemia) vai nos deixar melhores quando tiver terminado e tem valor por esta finalidade. É uma crença um tanto apocalíptica, dentro de uma linha de sofrimento como depuração para merecer a premiação final. Esse raciocínio tem aparecido muito em propagandas e sido bastante repetido pelo pessoal do meio das comunicações.

          O terceiro ponto, é bem mais leve e apresenta a minha adaptação aos embates da vida. Denominei-o de “Princípio do gato e da árvore”. Mesmo sendo uma imagem já tradicional na internet, fui levado à minha conclusão pela mensagem de uma colega. Mostra seus problemas de arrumação da árvore de Natal, diante da observação de uma de suas gatas. Todos sabem, esses adoráveis animaizinhos têm uma lúdica atração pelos pinheirinhos. Pois é, o pinheirinho da colega foi ao chão! Daí, o princípio estabelecido: os problemas, importantes ou simples, precisam ser derrubados. Os gatos brincam e derrubam, ainda que, às vezes, sofram alguma escoriação; mas continuam!

            Pense bem! Quantos pinheirinhos você já derrubou?

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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