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Região do Vale do Paranhana realiza grande protesto contra projeto de pedágios do Governo do Estado

Mobilização reúne prefeitos, vereadores, empresários e moradores contrários à concessão do Bloco 1 de rodovias com modelo de pedágio por quilômetro rodado
Lideranças regionais realizaram protesto com caminhada na ERS-239 nesta quinta-feira (20).
Foto: Divulgação

Na manhã desta quinta-feira (20), feriado pelo Dia da Consciência Negra, lideranças políticas, empresariais e moradores da região do Vale do Paranhana se mobilizaram em um protesto unificado em Taquara contra o projeto de concessão do Bloco 1 de rodovias estaduais, que prevê a implantação de praças de pedágio no modelo “free flow” — sistema de cobrança por quilômetro rodado. O ato ocorreu no estacionamento do antigo Supermercado Nacional e teve caminhada até o entroncamento da ERS-239 com a ERS-115.

A manifestação contou com a presença de prefeitos, vices, vereadores, representantes de entidades comerciais, sindicatos e moradores de todos os municípios do Vale do Paranhana. A mobilização foi marcada por discursos contrários ao formato da concessão proposto pelo governo estadual, considerado prejudicial à economia regional e à mobilidade entre as cidades da região.

Durante o ato, a prefeita de Taquara, Sirlei Silveira, afirmou que o modelo afetaria diretamente o comércio local. “Com tantos pedágios, o consumidor deixará de vir a Taquara. É um prejuízo econômico e social”, declarou. O prefeito de Igrejinha e presidente da Ampara (Associação dos Municípios do Vale do Paranhana), Leandro Horlle, destacou que “há uma unanimidade contrária ao projeto, mesmo que com diferentes níveis de oposição, pois o modelo penaliza financeiramente os moradores pelos próximos 30 anos”.

A proposta prevê a instalação de diversas praças de pedágio na ERS-239 e outras rodovias da região. Empresários relataram que os custos de transporte aumentarão significativamente, o que será repassado à população. Entidades como a CDL de Igrejinha e Três Coroas também se posicionaram contra o modelo, citando impactos diretos na produção e no consumo locais.

Parlamentares estaduais e vereadores também marcaram presença. O deputado estadual Joel Wilhelm afirmou que a concessão, nos moldes atuais, é desnecessária, já que os investimentos prometidos pelo governo poderiam ser realizados com recursos próprios. “Não somos contra investimentos, mas sim contra novas praças de pedágio”, pontuou.

Representantes do setor rural também manifestaram preocupação, destacando que o transporte da produção agrícola seria encarecido. Estudantes e trabalhadores que se deslocam diariamente entre as cidades relataram que o modelo inviabilizaria financeiramente essas rotinas.

A mobilização desta quinta-feira foi antecedida por uma audiência pública realizada na Faccat, que reuniu cerca de mil pessoas. A região planeja novas ações nas próximas semanas, incluindo participação em audiências na Assembleia Legislativa e a entrega de um documento com propostas alternativas ao governo estadual.