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Esta postagem foi publicada em 23 de novembro de 2020 e está arquivada em Penso, logo insisto.

Relações públicas, por Plínio Zíngano

Do “Meu cinicário” – Segundo os “Irmãos à obra”, o máximo em decoração de uma casa, atualmente, é o “banheiro conceito aberto”. Já pensou?

RELAÇÕES PÚBLICAS

Vivemos tempos complicados! Na verdade, desde que Adão resolveu ser vegetariano, os tempos são difíceis. Se pra ele, comunicando-se, diretamente, com o Criador, não foi fácil, imagine pra nós que, apesar de tantos intermediários, temos um ritmo de vida bem mais agitado. Naquele tempo, os dias eram um paraíso! Sem trocadilho. A nós só resta encarar a dificuldade de frente (sei, é um pleonasmo, mas, aqui, é um trocadilho) essas complicações e remar o barco!

            Para tornar mais macios os inevitáveis encontrões criados pela dura realidade, existe uma tarefa da Ciência das Comunicações cujo objetivo é promover boa vontade entre os seres humanos. O nome da tarefa é Relações Públicas. O relações-públicas (classificação de quem atua nesta área), conhecido como RP, é aquele profissional encarregado de lubrificar o relacionamento social. Quando vemos as empresas sendo muito bondosas e acessíveis a seus clientes, financiando projetos diferentes de suas finalidades econômicas diretas, podemos ter certeza: ali está a mão desse profissional. Mas nem tudo são rosas no jardim de sua atuação. Há os espinhos também.

            Há poucos textos atrás, quando relatei o caso das pombinhas-rola eletrocutadas (segundo supus) na fiação elétrica diante do edifício onde moro, causando falta de energia elétrica no condomínio, mencionei a falha na manifestação da empresa responsável, apesar da gravação de atendimento ser muito simpática. Quando me identifiquei recebi como resposta não haver sido encontrado. Mesmo morando no mesmo local há 24 anos e tendo pago todas as faturas mensais de consumo. Duzentos e oitenta e oito meses incógnito! Isto é um serviço de RP. Aliás, essas gravações tão cálidas são um verdadeiro tiro no pé, pois os problemas dos consumidores continuam, porque não permitem interação e respostas. Simplesmente, limitam as possibilidades, enquadrando o cliente numa solução mais rápida para facilitar o serviço da empresa.

         Outro espinho: fornecedor pedindo compreensão do consumidor por falha no seu trabalho. Nesta manhã, meu provedor de mensagens eletrônicas, pago mensalmente, parou (evitei trocar meu endereço e aceitei quando passaram a cobrar). Telefonei e lá estava a gravação pedindo compreensão pela interrupção do acesso. Compreensão jamais oferecida quando a fatura não é quitada na data. Isto sem falar no provimento de internete, contratado para um volume e entregue por menos da metade.

              Haja luva para proteger a mão do RP. São muitos espinhos!

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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