Reneo Birck, 69 anos, natural de Taquara. Aposentado, é casado com Maria Elisabeth Aguiar Birck (64), tem três filhas – Martha (37), Juliana (31) e Mariana (28) – e três netas – Bianca (7), Betina (2) e Amanda (8).
Como é para você viver cercado de mulheres na família?
É normal e muito bom até. Mesmo porque não tive oportunidade de viver com filhos homens. Em minha casa paterna, éramos três irmãos, mas, por motivo de doença grave na família, acabamos nos afastando muito cedo. Acostumei a viver só com as mulheres e só pelo jeito de levantar da cama eu já via como ia ser aquele dia: “pronto”. Mas penso que, na verdade, todos os dias são iguais, com altos e baixos, independentemente da TPM. Além disso, o relacionamento de pai com filha é bem mais harmonioso do que com filhos. Elas têm um jeitinho especial de pedir as coisas e, assim, vão conseguindo o que querem.
Conte-nos a respeito do seu hobby de colecionar lápis.
O fato de meu pai ter trabalhado numa fábrica de biscoitos e massas em Taquara, como vendedor/distribuidor, possibilitava recebermos sempre os lápis de propaganda em primeira mão. Como ele viajava, recebia em troca também os lápis de outras empresas. E todos eles foram sendo guardados com o tempo. Recentemente, a tia Lacy Aguiar ofertou-me uma caixa com aproximadamente 500 lápis, motivando-me a separar, identificar e catalogá-los. Acrescidos aos que eu já tinha, totalizaram aproximadamente 1.500. Iniciado o processo de classificação, comecei a descobrir, com os lápis, coisas muito interessantes da história de Taquara. Após exibi-los pela primeira vez, comecei a receber pacotes e mais pacotes contendo lápis velhos que as pessoas tinham guardado e não sabiam o que fazer. Atualmente minha coleção está em 3.278 exemplares vindos de todo o Brasil.
Fale sobre a sua paixão futebolístca pelo Grêmio e o que ele significa para você.
Foi um rio que passou na minha vida e meu coração se deixou levar. Me intitulo Católico Apostólico Gremista. Esta é minha religião. Católico por batismo, apostólico porque procuro cumprir aquilo que o Mestre pediu – não só na religião, mas também na comunidade, e gremista de fé.
Quais são suas principais características pessoais?
Alegre, brincalhão, irônico, debochado, sempre com uma resposta pronta para enfrentar qualquer “saia justa”. Não gosto de hipocrisia, nem de cinismo.
O que gosta de fazer em suas horas vagas?
Quando me sobra um tempo, porque atender sete mulheres não é fácil, gosto de ler, olhar filmes – escolhidos a dedo pela Betha – e assistir a jogos de futebol (não importa a hora do dia).
O que o tira do sério: má vontade, prepotência e o uso das instituições religiosas e comunitárias em benefício próprio.
Como conheceu a Betha e o que mais admira nela?
Foi nas saídas do colégio Santa Teresinha, onde, na época, era o “point” ficar escorado no muro, esperando as gurias saírem. Daí os anjos tocaram os sininhos, as estrelas brilharam mais do que deveriam e nasceu um relacionamento puro, resultando em casamento em 27 de dezembro de 1969, que já dura 41 anos. O que mais admiro na Betha é a persistência, o dinamismo, a paciência e a dedicação para comigo, com as filhas e com as netas, 24 horas por dia.
Quais são seus planos para o futuro?
Viver administrando os momentos NÃO, que não são muitos, para poder curtir os momentos SIM, que são bastantes.
Estilo musical: orquestrado sempre (Beatles “Hors Concours” desde 1964).
Prato predileto: o arroz de forno feito pela Betha.
Uma habilidade: tudo, pois desde pequeno já fazia meus próprios carrinhos de lomba, de tal maneira que aprendi a usar todas as ferramentas.
Deixe uma mensagem aos leitores do jornal: Administre com sabedoria os momentos negativos para poder, sem restrições, curtir os momentos favoráveis.


