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Panorama Slow Fashion

  Todos sabem que ano de crise é tempo de reinvenção. A moda agora é: pagar menos por mais qualidade,

 

Todos sabem que ano de crise é tempo de reinvenção. A moda agora é: pagar menos por mais qualidade, repensar o consumo e dinheiro investido em roupas. A peça exclusiva ao alcance do bolso, melhor opção para as descoladas, é possível ao garimpar roupas usadas. Os brechós ganharam força ao reunir itens selecionados e de grandes marcas a preços mais acessíveis. Antigamente vistos como depósitos de peças velhas e fora de moda agora, estão chamando a atenção de quem tem estilo e se preocupa em reduzir os impactos de seu consumo ao meio ambiente. No Brasil, a estimativa de resíduos têxteis é de 175 mil toneladas por ano, ao ampliar a questão, nos últimos 30 anos, 33% dos recursos naturais do planeta foram utilizados.

 

A necessidade de repensar o consumo da moda ganhou força após a queda do edifício onde funcionavam fábricas de vestuário em Bangladesh, em 2013. A tragédia contabilizou 1200 mortos, a maioria mulheres. Por que as grandes empresas fabricam nos países subdesenvolvidos? Porque a mão de obra é muito mais barata e as leis trabalhistas não protegem o trabalhador em países como Bangladesh, Vietnã, Índia, Marrocos, entre outros. A indústria fast fashion (moda rápida) significa um padrão de produção e consumo no qual os produtos são fabricados, consumidos e descartados, literalmente, rápido. Para cada peça custar barato e chegar rápido, há pessoas trabalhando de 16 a 20 horas por dia, sem direito a férias e em condições sub-humanas. Escolhemos, ou não, pactuar com esse tipo de fabricação.

 

Há dois anos mostrando às pessoas seu estilo peculiar, com peças garimpadas a dedo, de modo a oferecer um acervo personalizado, visual alternativo e elegância, o Brechó 1900 e Guaraná de rolha, de Parobé, é itinerante e encontra seu público em eventos abertos, bazares, através do Facebook e site, que permite vendas para todo o Brasil. “A ideia é ser um brechó diferentão”, responde Keidi Carneiro, 21 anos, idealizadora da proposta, graduanda em Publicidade e Propaganda pela Faccat, estagiária e funcionária do setor de cópias, vulgo xerox.

 

“Tudo que faço, penso em ser inovadora. Os pequenos detalhes fazem a diferença nesse tipo de negócio, desde a cartinha que escrevo como se fosse a própria roupa. O objetivo consiste em ser um brechó singular”, reforça, explicando que o nome tem a intenção de lembrar expressões antigas e foi escolhido coletivamente através de uma enquete no Facebook. A linguagem informal utilizada nas vendas e entrega das peças promove a relação mais próxima entre cliente e fornecedor e reafirma novos modelos de negócio.

  

Amuleto de Pano

A redução do consumo massivo de roupas, a fomentação da consciência quanto aos impactos negativos no meio ambiente, as disciplinas “Projeto de Moda” e “Comunicação para a Moda” foram os pontos de partida para a criação da  Amuleto de Pano, projeto profissional das amigas de infância Berta Wilbert e Iara Sander, graduandas em Moda. A marca, de Igrejinha, preza pela qualidade, atemporalidade e pela maneira mais sustentável de se vestir.

 

O principal material utilizado para a produção é o denin reciclado, conhecido como jeans reciclado composto por 80% de algodão reciclado e 20% de fibras de pet (garrafa). A dupla utiliza algodão orgânico, mais fino e leve, para o lançamento da coleção de primavera. Na coleção de inverno foram utilizadas sobras de matérias de indústrias têxteis e calçadistas da região. Segundo elas, há um espaço em Igrejinha que recolhe esse material.

 

A marca começou em 2013, quando Berta e Iara participaram de um curso que ensinava técnicas de renda, aplicadas desde as primeiras peças até as atuais, e que imprime a personalidade artesanal. “Os clientes se dizem impressionados com a nossa técnica de renda. Algumas pessoas pensam que é aplique, contudo, esse é o nosso diferencial, geramos um produto que chama atenção”, explica Berta, sobre a identificação do público com a proposta da marca.

 

Consciência e economia na moda infantil e adulta

Daniela Teixeira, há cinco anos à frente da equipe do brechó infantil central de Taquara. O brechó infantil tem todos os artigos para bebês, desde o enxoval, cobertor, lençol, berço, cômoda, roupeiros e roupas de recém-nascido até tamanho 12 e 14 de menino e menina. Funciona assim: deixa-se a peça, dou crédito para levar outra. Primamos por todas as peças estarem em perfeito estado de uso. “Com capricho e carinho, tenho ajuda da minha mãe, ela fica responsável pela limpeza e supervisão das peças. Os clientes nos atribuem credibilidade porque mantemos uma postura séria na empresa.”

 

“Há menos de um mês lançamos a loja do brechó adulto. Começamos no dia 11 de julho. As primeiras semanas me surpreenderam. A parte do brechó adulto, várias pessoas me pediam e eu dizia que, neste espaço, não poderia dar a mesma atenção a cada peça”, conta Daniela. Como funciona para deixar uma peça? “Avaliamos e colocamos para venda. Assim que a roupa for vendida, será acertado a partir do dia 15 do mês que vem, 50% do valor para a dona da peça, ou 60% do valor se quiser levar outra mercadoria. A média de preço das calças jeans é R$ 25, R$ 30; blusas de R$ 15 a R$ 30 e  vestidos de R$ 40 a R$ 80”.

 

Consultoria de estilo aliada à economia

O primeiro passo para construir um guarda-roupas mais eclético, versátil e singular é refletir sobre o estilo pessoal e hábitos de consumo. Esta é a frase de abertura do site da Closet Detox, consultoria fashionista há 13 meses no mercado da moda sustentável. A desintoxicação do guarda-roupas consiste na avaliação peça por peça, separadas em quais são usadas, as que nunca foram, os desapegos e as roupas para reforma.

 

Essa consulta propõe à cliente realizar o pensamento crítico em suas escolhas. “Na consultoria de estilo pessoal, analisamos as roupas que a pessoa usa mais e quais ela mais gosta. O autoconhecimento é importante. Toda pessoa que conhece seu ritmo e sabe sobre seu estilo faz compras mais acertadas, pois consegue escolher peças melhores. No armário você precisa ter só possibilidades, então tiramos as peças com falhas e deixamos apenas as que apresentam possibilidades de jogar com outras roupas”, aconselha Milena.

 

Neste primeiro ano de empresa, foram mais de 40 consultas. Os valores dos serviços variam de R$ 490 (apenas uma visita) e serviços de três ou quatro consultas vão a R$ 1.700.  A primeira questão é: qual a sua expectativa com o serviço contratado? A partir daí é indicado o pacote adequado. Milena esclarece: “não somos um brechó. Na verdade, a gente vende as peças de desapego das clientes e se responsabiliza por algumas reformas, porque entendemos que a roupa mais sustentável é aquela que já existe”. A média de valores das roupas do bazar variam conforme as marcas, como Richards, que custam R$60, Shoulder, R$40. Também há peças da Animale, Collie, Farm, Anselmi, e, ainda assim, os preços são bons, pois o foco da empresa são as consultorias. Informações em: closetdetox.com.br

 

BRECHÓS EM TAQUARA

 As Samaritanas Rua Osvaldo Brandão, 3023
(fundos do mercado Muller)
só nas terças
das 9h às11h30 e das 14h às 17h 

Igreja Católica
(Escada lateral)
só de manhã nas terças e sábados

 
Rotary e Casa da amizade

Júlio de Castilhos,
Clube Comercial (portinha lateral)
abre às 9h, só no sábado

Desapego
Marechal Floriano, 1441
Galeria do Centersul,
horário comercial e no sábado
sem fechar ao meio dia.

Naftalina
Gal. Frota, 2332
Na frente da EEEF Rodolfo Von Iering,
horário comercial e sábado só de manhã

JOANINHA FASHION
Guilherme Lahm, 1230 em horário comercial

Joaninha Kids
Bento Gonçalves, 2608 em horário comercial

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