Retrofit: uma nova ‘roupagem’ em prédios antigos e históricos de Taquara – Conheça a Casa Dienstmann

Conhecido como o “sobrado dos dois leões”, o casarão começou a ser construída em 1913
Publicado em 30/07/2021 15:58 | Atualizado em 20/09/2021 22:39 Off
Por Cleusa Silva
Foto: Divulgação/Thomas Miller

Conhecida como retrofit, a revitalização de imóveis antigos ou históricos tem se mostrado uma forma inteligente de preservação do patrimônio cultural, dando uma nova vida a construções antigas e até símbolos dos municípios. Dando uma caminhada pela região central de Taquara é possível observarmos alguns casarões antigos que recentemente ganharam uma nova “roupagem”, como é o caso da antiga Casa Dienstmann, localizada na rua Tristão Monteiro.

Com projeto de revitalização conduzido por uma empresa especializada em arquitetura, o casarão sofreu poucas alterações no seu modelo original, apenas em pontos em que os materiais estavam bastante deteriorados e não puderam ser reaproveitados, além de ser transformado em residência na parte superior e área para comércio no andar térreo.

Conforme o “Inventário do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Cultural de Taquara”, desenvolvido por alunos do curso de História das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat), a Casa Dienstmann, localizada na rua Tristão Monteiro, esquina com a General Frota, foi construída no início da década de 20 e teve quatro proprietários.

Conhecido como o “sobrado dos dois leões”, a Casa Dienstmann começou a ser construída em 1913, pelo senhor Carlos Huff Filho, para ser um imóvel comercial, que vendia tecidos e demais artigos para costura. Decidido a ser tornar caixeiro viajante, seu Carlos acabou vendendo o imóvel para seu cunhado.

Natural de Canela, Theobaldo Dienstmann instalou uma loja de tecidos e aviamentos na parte inferior e utilizou o segundo andar como moradia, permanecendo no local até meados de 1955, quando construiu uma nova casa na mesma rua.

Durante 84 anos a Casa Dienstmann permaneceu voltada para atividades comerciais, sendo administrada também pela filha de Theobaldo e seu marido, Ida Dienstmann e Germano Miller, depois pelo neto Hugo Erni Miller e, por último, pelo bisneto Alexandre Miller, que manteve as atividades comerciais até 31 de janeiro de 2006.

Em outubro de 2017, a arquiteta Ana Lore Burliga Miranda, do Ana Lore Miranda Escritório de Arquitetura, iniciou o projeto de revitalização do imóvel que, foi transformado em uma residência no andar superior, uma loja no térreo, mantendo a utilização original, e um espaço no subsolo, apto para receber um café e bistrô.

Conforme a arquiteta de Taquara, o pátio está pronto e apto para receber alguns automóveis, bicicletas, e quem sabe outros serviços para modernizar a utilização deste espaço aberto. A orientação solar, a ventilação natural e a vegetação existente também permitem o recebimento de clientes que apreciem passar as tardes em locais de lazer mais arejados.

Durante a revitalização foram necessárias instalações totalmente novas como a elétrica, hidro sanitária, gás, internet, entre outras, pois quando o imóvel foi construído não existia água encanada, muito menos aquecida, ou gás para fogão na cozinha.

Durante 17 meses de obra, a equipe do Ana Lore Miranda Escritório de Arquitetura não encontrou problemas graves, mas tomou muito cuidado durante os trabalhos, para reproduzir as peças originais, reproduzir o ano de construção gravado na fachada da casa, reproduzir e instalar novamente os balaustres quebrados ou comprometidos e reconstituir o poço com água natural existente no subsolo do prédio.

Segundo Ana Lore, a revitalização da Casa Dienstmann envolveu uma equipe de trabalhadores de diversas área, como pedreiros, carpinteiros, vidreiros, marmoreiros, pintores, gesseiros, serventes, funileiros, encanadores, eletricistas, marceneiros e engenheiros, que se dedicaram por mais de um ano na revitalização deste casarão histórico de Taquara, que está com o espaço comercial disponível para locação.

“O andar superior se transformou em um charmoso apartamento, com direito a sacada com flores, e o térreo está disponível para locação comercial, assim como o subsolo, que tem um espaço para um café/bistrô ou um empório de condimentos e azeites diferenciados ou bebidas artesanais”, conta a arquiteta Ana Lore.

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