Retrofit: uma nova ‘roupagem’ em prédios antigos e históricos de Taquara – Conheça a Casa Vidal

Construída em 1882, o casarão é considerado o imóvel mais antigo ainda existente em Taquara
Publicado em 20/08/2021 23:53 | Atualizado em 20/09/2021 22:38 Off
Por Cleusa Silva
Foto: Cleusa Silva/Rádio Taquara

Conhecida como retrofit, a revitalização de imóveis antigos ou históricos tem se mostrado uma forma inteligente de preservação do patrimônio cultural, dando uma nova vida a construções antigas e até símbolos dos municípios. Caminhando pela região central de Taquara é possível observarmos alguns casarões antigos que recentemente ganharam uma nova “roupagem”, como é o caso da Casa Vidal, localizada na rua Tristão Monteiro, esquina com a rua Dr. Edmundo Saft.

Conduzido pela Patrimonium Gestão e Produção Cultural e Forma Arquitetura, e cadastrado na Lei de Incentivo à Cultura (LIC), o projeto tem o valor total estimado em R$ 3,5 milhões, seguindo todo o rigor técnico exigido pelas cartas patrimoniais internacionais, além da readequação dos espaços que serão utilizados para atividades culturais.

Conforme o “Inventário do Patrimônio Histórico, Arquitetônico e Cultural de Taquara”, desenvolvido por alunos do curso de História das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat), a Casa Vidal foi construída em 1882, pelo coronel Jorge Fleck, que governou Taquara como intendente, por um curto período, quando ocorreu a Proclamação da República.

Considerado o imóvel mais antigo ainda existente em Taquara, a Casa Vidal tem 1.491 m². Segundo prédio de alvenaria construído no município, foi edificado com tijolos unidos com o pó de conchas marinhas vindas de Nossa Senhora da Conceição do Arroio (atual cidade de Osório).

Fotos: Cleusa Silva/Rádio Taquara

Alguns anos após sua construção, o casarão foi adquirido por José Júlio Müller, figura política taquarense, que comercializava tecidos e ferragens no local. Na década de 40, a casa foi comprada por Henrique Vidal Kohlrausch, funcionário de José, que assumiu o controle do estabelecimento, um dos mais importantes pontos comerciais de Taquara, servindo também como local de comercialização de roupas, além de tecidos e ferragens.

Embora tenha sido construída no período de ocupação dos imigrantes alemães, a Casa Vidal possui características coloniais, evidenciando a influência dos políticos do período imperial na região – o coronelismo. De alvenaria, o casarão foi edificado com portas de madeira, janelas em arco, duas folhas em madeira com vidraça externa com pingadeira.

O imóvel também recebeu beiral em estuque e vazado, deixando o telhado à vista, fachada detalhada em estuque, cobertura com telhas de barro, sendo dividido em duas partes, formando um conjunto, e com sótão utilizável.

Conforme a gestora cultural da Patrimonium, Cristina Seibert Schneider, a primeira parte da obra de revitalização da Casa Vidal já foi concluída, tendo sido realizado o restauro da parte mais antiga – que tem traços de enxaimel, além da substituição da cobertura e a construção da nova edificação, com banheiros e salas com cobertura em telhado verde.

A primeira parte da obra da Casa Vidal incluiu ainda a retirada do reboco e execução de reboco novo, com cal e areia, e execução de reforços estruturais com atirantamento da parede principal que estava ruindo, além de reforço das fundações, nova estrutura da cobertura, e a cobertura com sub telhado e telhas cerâmicas tipo francesa.

Na parte dos fundos, onde foram escavadas as fundações e ajustado o nível, foi feita uma nova fundação, com alvenarias, vigas e laje de cobertura e também houve a colocação das novas calhas, algerozes e cabeamentos e a reconstituição dos vãos das portas e janelas da parte dos fundos e na fachada da rua Edmundo Saft.

“Também foi feita a nova cobertura, no último momento construtivo da edificação (parte intermediária), com a colocação de sub telhado e telha metálica do tipo Sanduiche, que tem isolamento térmico”, explica a gestora cultural da Patrimonium.

A gestora cultural conta ainda que, na segunda etapa da revitalização da Casa Vidal deverá ser execuda a cobertura da parte principal do prédio, a colocação das estruturas para o elevador, estruturas internas, barroteamento do piso, além de drenagens, escavação do porão e restauro das esquadrias.

Segundo a responsável pelo projeto, o projeto agora está nas mãos da Associação Natal Mágico de Taquara, que está sendo a proponente do projeto junto a LIC. O projeto, que já passou pela análise técnica, agora está na fase junto ao conselho, para a avaliação do mérito e relevância cultural.

“Assim que sair esse resultado a gente vai captar esse R$ 1 milhão que está previsto no projeto, junto as empresas. Já temos confirmado a participação de uma empresa e estamos em tratativas com mais duas, que se mostraram interessadas”, comemora Cristina.

O tempo de execução do restante da revitalização da Casa Vidal vai depender da entrada do novo recurso. A primeira parte da obra levou mais tempo do que o previsto em função das questões de captação, da troca de governo e também em relação a pandemia.

“Esperamos que a gente tenha um cenário um pouco melhor para a próxima etapa”, projeta a gestora cultural da Patrimonium.

Fotos: Divulgação/Patrimonium

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