Reunião na Câmara busca definir estratégias contra o crime de abigeato no interior de Taquara

Moradores das localidades de Olhos D’água, Moquém e Cachoeira Grande participaram de reunião com vereadores e autoridades da segurança.
Publicado em 28/02/2018 16:47 Off
Por Vinicius Linden

Vereadores escutaram reivindicações sobre segurança de moradores do interior. Alan Júnior/Jornal Panorama

Uma reunião para discutir e traçar estratégias visando a coibir e combater a insegurança vivida pelos moradores do interior de Taquara foi realizada, nesta quarta-feira (28), na Câmara Vereadores. O encontro contou com a presença de diversas autoridades da segurança pública, vereadores e moradores. A pauta da reunião foi o crescimento nos furtos, roubos e crimes de abigeato (roubo de animais), que os moradores vêm tendo que enfrentar ultimamente.

O encontro foi solicitado pelo vereador Nelson Martins (PMDB), sendo presidido por Levi Metanoya (PTB), e contou com a presença dos vereadores Telmo Vieira (PTB), Carmem Kirsch (PTB), Luiz Felipe Luz Lehnen (PSDB), Daniel Laerte Lahm (PTB) e Mônica Faccio (PT). Além dos vereadores, também estiveram presentes os representantes da segurança pública, o capitão da Brigada Militar, Juliano Cardoso Arali, e o tenente Del Cueto, o delegado de Polícia Civil, Ivair Matos Santos, e 15 moradores e representantes das localidades de Olhos D’água, Moquém e Cachoeira Grande, interior de Taquara.

Em sua fala, os vereadores foram unânimes sobre a questão de os moradores registrarem o boletim de ocorrências sobre os furtos, roubos e abigeatos que acontecem nas localidades, pois somente através destes registros é que a Polícia Civil poderá investigar e identificar os responsáveis. Eles ainda citaram a falta de comunicação entre os próprios moradores, que muitas vezes, veem os suspeitos em frente às suas residências e acabam não avisando ninguém, deixando que os meliantes atuem livremente.

O vereador Luiz Felipe citou a questão da estrutura deficitária dos órgãos públicos de segurança. “Os policiais acabam fazendo muito mais do que podem, devido à falta de viaturas e efetivo, tanto na Brigada Militar quanto na Polícia Civil, mas a população tem que fazer sua parte, fazendo o registro policial dos casos, pois a polícia trabalha com estatísticas e, se não for feito o B.O., eles não têm como saber o que acontece no interior” destacou o vereador.

Já o vereador Telmo Vieira (PTB) lembrou da necessidade de retorno da Patrulha Rural, que era feita pela Brigada, mas acabou extinta. “Eu e o vereador Nelson conseguimos doar uma caminhonete VW/Amarok para a BM, para que essas patrulhas rurais não parassem, mas por falta de efetivo e incentivo, a patrulha acabou. Também é preciso que os moradores façam sempre os registros para que a polícia tenha as estatísticas em mãos para poderem trabalhar”, falou Telmo.

Um morador da localidade de Moquém pediu a palavra para falar sobre a insegurança que todos vivem no interior do município. “Sobre a questão da comunicação entre os vizinhos, acho que os vereadores estão equivocados. Todos os moradores cuidam um do outro, inclusive temos um grupo no “Whatsapp” em que todos se comunicam quando veem algo suspeito. Sobre o atendimento da Brigada, há alguns dias atrás, estava eu e minha irmã, trancados dentro da casa dela, porque tinha dois marginais mexendo no galpão. Chamamos os brigadianos que nos disseram que não tinham viatura naquele momento para nos atender. Tivemos que ficar bem quietinhos dentro de casa para que os bandidos roubassem o que queriam e fossem embora sem nos machucar. Acho que o problema tá na lei do desarmamento. Desarmaram somente o cidadão de bem, e os bandidos fazem o que querem…”, citou o morador.

Conforme o capitão da Brigada Militar, Juliano Cardoso, nunca foi deixado de prestar nenhum atendimento em Taquara. Porém, segundo o capitão, não há como manter uma patrulha fixa no interior, devido à falta de viatura e efetivo, afirmando que, segundo as estatísticas, o crime de abigeato caiu nas localidades do interior. Ele completou dizendo que serão enfatizadas as ações nesses locais.

Já o delegado da Polícia Civil, Ivair Matos Santos, apresentou as últimas ocorrências de furto abigeato, registradas por moradores nas localidades de discussão. Segundo o delegado, desde novembro de 2017, foram apenas sete registros desse tipo de crime, sendo dois em Tucanos e cinco em Olhos D’Água. “Nós, da Polícia, trabalhamos em cima de dados, estatísticas, para elaborar as investigações e poder encontrar os culpados. Sem o registro isso se torna impossível”, afirmou Santos.

O delegado Ivair enfatizou que a Polícia Civil trabalha com investigação, ou seja, após o crime acontecer. Ele disse que, conforme a disponibilidade de seu efetivo e das viaturas vai atuar também no policiamento ostensivo, trabalho que é efetuado pela Brigada Militar, para que a população possa ter mais segurança em seus locais de moradia.

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