
A rodoviária de Igrejinha vai encerrar as atividades no dia 31 de dezembro. A confirmação foi feita pelo concessionário do terminal, Francisco Martins, de 55 anos, que atribui a decisão à queda acentuada no movimento de passageiros e à inviabilidade econômica da operação no cenário atual do transporte no interior.
Segundo Francisco, o movimento caiu cerca de 60% no período pós-pandemia. “O movimento caiu muito e a realidade do interior não se sustenta mais”, afirma. Ele explica que, além da redução no número de passageiros, as comissões também diminuíram, o que impactou diretamente a manutenção do serviço.
O administrador cita exemplos diários concretos da queda. “Para São Leopoldo, onde antes iam seis pessoas, hoje vão três. Para Porto Alegre, fica entre meia dúzia e, no máximo, 12 passageiros”, relata. No caso de Gramado, segundo ele, a maior parte dos usuários embarca com vale-transporte.
Francisco também destaca que Igrejinha não é um caso isolado. “Nova Petrópolis, que é uma cidade turística, não tem rodoviária. Parobé e Rolante não têm, Santo Antônio também não”, observa, apontando uma tendência regional de fechamento desses terminais.
Outro fator mencionado é a mudança no comportamento dos usuários. “Hoje, menos mal que existe toda essa parafernália eletrônica. As pessoas compram passagem online, pagam por Pix, usam vale-transporte”, diz. Para ele, o avanço da tecnologia reduziu a necessidade da estrutura física tradicional. Além disso, alternativas de deslocamento ganharam espaço. “Tem outras opções de logística, como o BlaBlaCar. Ou, para ir a Taquara, por exemplo, três pessoas de Uber acabam pagando barato”, afirma.
A rotina de trabalho também pesou na decisão. A rodoviária funcionava de domingo a domingo, das 5h30 às 19h30. “Há cerca de dez anos eu seguro isso praticamente sozinho, junto com a minha esposa”, conta. Segundo ele, uma rodoviária de interior, com a arrecadação atual, não consegue se manter. “Com esse movimento, não paga sozinha”.
Com mais de 30 anos à frente do terminal, Francisco relembra que houve um período de prosperidade. “Da década de 1990 até 2004, era um bom negócio. O auge foi quando tínhamos três funcionários”, recorda. No entanto, ele afirma que há pelo menos 20 anos a atividade enfrenta um processo contínuo de retração.
Apesar do encerramento, Francisco fala com certo saudosismo da trajetória. “Foi gratificante. Eu conheço muitos passageiros pelo nome”, diz. Ele afirma que vem avisando os usuários sobre o fechamento e que já comunicou oficialmente o Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem (Daer). “Vou avisando das mudanças. O Daer já está ciente”, acrescenta.
Com o fechamento, a concessão da rodoviária ficará em aberto. Francisco acredita que o momento exige adaptação. “Tudo tem adaptação quando existe mudança”, afirma.
Rodoviárias são bens públicos e sua administração ocorre por meio de concessão à iniciativa privada. Qualquer interessado em assumir a operação precisa participar de processo licitatório ou manifestar formalmente interesse junto ao Daer-RS, responsável pela gestão desses terminais.


