Geral

Rota Marco Zero apresenta turismo, história, vinhos e gastronomia em Taquara

Visita técnica reuniu profissionais do trade turístico e percorreu espaços históricos, vinícolas urbanas e empreendimento de turismo rural do município
Armazém das Oliveiras (Fotos: André Amaral/Rádio Taquara)

Turismo, história, vinhos e gastronomia fizeram parte da visita técnica à Rota Marco Zero, realizada nesta sexta-feira (25), em Taquara. A atividade reuniu profissionais do trade turístico e apresentou diferentes atrativos do município, com o objetivo de integrar experiências culturais, gastronômicas e rurais.

A programação começou na Cafeteria Entrelinhas, onde os participantes foram recebidos para um café da manhã. Segundo a sócia Grazi Flocke, a proposta é oferecer aos visitantes uma experiência planejada desde o início do roteiro.

Espaço Cultural Casa Vidal

Na sequência, o grupo passou pelo Espaço Cultural Casa Vidal e seguiu até a Praça Marechal Deodoro, no Centro. Cercado por prédios históricos, como o Clube Comercial e a sede da CICS, o espaço foi apresentado pelo historiador Leonardo Souza.

Segundo Souza, a praça está relacionada ao período de consolidação do regime republicano no município e leva o nome de Marechal Deodoro da Fonseca, primeiro presidente do Brasil. Durante a visita, ele também destacou uma curiosidade relacionada à representação do político Tristão Monteiro, personagem histórico ligado à formação de Taquara.

Praça Marechal Deodoro
Vinícolas urbanas

A programação seguiu por três vinícolas urbanas de Taquara, cada uma com uma proposta diferente de produção. A primeira parada foi na Bodega Koetz, onde são produzidos vinhos artesanais e de baixa intervenção.

O vinhateiro Roger Koetz explicou que a proximidade com a produção é uma das características do trabalho realizado no local. Segundo ele, a vinícola evita o uso de produtos enológicos e busca preservar as características do vinho.

“A gente tenta minimizar ao máximo, não usar produto”, afirmou. Koetz também define a produção como vinho ancestral e destaca o conceito de “vinho de garagem” como uma das características valorizadas pelos visitantes durante as degustações.

Depois, o grupo conheceu a Vitis Insanis, uma nanovinícola artesanal criada por quatro amigos. O vinhateiro Ricardo Kunz explicou que o nome “vinhos desgarrados” representa a liberdade adotada pelos produtores, sem uma fórmula fixa para a elaboração das bebidas.

“A gente pega uvas de vários locais, vinifica de várias maneiras, tem muita liberdade para criar e inventar até técnicas, às vezes, novas”, explicou.

A terceira parada foi na Vinhos da Rua do Urtigão, que trabalha com vinificação natural, biodinâmica e de baixa intervenção. A vinhateira Tatiana Kunz explicou que o processo utiliza fermentação espontânea, com leveduras presentes naturalmente nas uvas.

Segundo ela, não são feitas correções no vinho, buscando preservar as características da fruta e do local de produção. As condições climáticas de cada safra também influenciam o resultado final.

“De um ano para o outro, a gente percebe que esses vinhos são diferentes, justamente pela safra”, disse Tatiana.

Turismo rural

O roteiro terminou no Armazém das Oliveiras, em Santa Cruz do Pinhal, no interior de Taquara. A propriedade pertence à família de Alexandre Möller há mais de 150 anos e preserva estruturas ligadas à história da comunidade.

Möller, que representa a sexta geração da família, explicou que o antigo armazém comunitário reunia diferentes serviços e atividades, incluindo atendimento médico, odontológico e salão de baile. A proposta atual é recuperar o espaço e integrá-lo ao turismo rural.

A propriedade conta com cerca de duas mil oliveiras plantadas em aproximadamente 10 hectares. O desenvolvimento do empreendimento turístico também contou com a participação de empresários e produtores locais e com uma especialização realizada pelo Senar.

A visita terminou com um almoço entre oliveiras, flores e galpões históricos, apresentando aos participantes uma experiência ligada à paisagem e à produção rural de Taquara.

Novos roteiros

O secretário de Desenvolvimento Econômico, Pedro Almeida, destacou que a Rota Marco Zero representa apenas uma das possibilidades de exploração turística existentes no município.

Segundo ele, Taquara possui outros empreendimentos com potencial para integrar novos roteiros, especialmente nas áreas de turismo rural, patrimônio histórico, arquitetura e cultura.

“É possível, sim, fazer turismo em Taquara. É possível, sim, valorizar as nossas raízes, as nossas riquezas e a nossa cultura”, afirmou.

A proposta da visita técnica foi apresentar aos profissionais do setor diferentes possibilidades de experiências turísticas no município, conectando patrimônio histórico, gastronomia, produção de vinhos e turismo rural em um mesmo roteiro.