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Publicado em 01/11/2021 15:18 Off

Do “Meu cinicário” – Meu único ponto fraco: não ter pontos fracos! Mas isto não é aceito socialmente. Todos me invejam e boicotam. Logo, meu ponto fraco é total!

SÃO LONGUINHO

Por partes. Primeiro, farei uma pequena introdução sobre o tipo de texto aqui da coluna, um comentário, tratando do cotidiano, escrito para chegar ao sentimento dos seus leitores. É o gênero textual crônica, começado, historicamente, narrando os fatos da vida de uma população, situando-os no tempo (em grego khronos, via latim chronica). Com o aparecimento das revistas e dos jornais impressos, esse viés tornou-se popular. Aos poucos abandonou sua sisudez, permitindo conversas mais despojadas. Aproveitou-se das mudanças midiáticas, chegando mais perto do seu consumidor (não esqueça rádio e televisão). E, agora, temos a crônica informática, como é o caso deste texto. Ou seja, uma viagem de alguns séculos, dos pergaminhos e papiros ao celular.

Segundo (lembre, estamos indo por partes!), quem é, ou foi, São Longuinho, do título, e o que tem ele a ver com esta crônica? Aqui, entramos na seara da hagiografia. Para quem esqueceu o significado da palavra, resumo: vida dos santos. Todos aqueles que têm santos de adoração, nem sempre sabem alguma coisa da vida deles. Os santos não entraram na lista da Igreja, assim, gratuitamente. A canonização – tornar alguém “santo” ou “santa” – é um processo eclesiástico minucioso.

E São Longuinho? Não tenho santos preferidos. Nem minha esposa tinha, com uma exceção de ordem prática. “Longuinho” é corruptela brasileira de “Longuino”, significado latino de “lança”. Pelos registros bíblicos, um soldado romano presente à crucificação de Jesus. Ele enfiou a lança no peito de Cristo, verificando sua morte. Naquele momento converteu-se. Longuino abandonou Roma, tornando-se monge itinerante. Pelo costume, passou a ajudar quem tivesse perdido algum objeto. Basta pedir ajuda ao Santo para achá-lo. Conseguido o intento, a graça é paga com três pulinhos. Assim, conheci Longuinho, tanto invocado na procura de coisas perdidas aqui em casa. Nunca vi a Cármen pulando as três vezes, mas, certamente, o fez.

Pois, no último sábado à noite, meu filho deu falta de sua carteira com documentos e cartões de bancos. Procurou por todos os lugares possíveis, gavetas, caixas, chão e nada. Na manhã seguinte, retornaria ao local onde passara a tarde para procurar mais. No domingo, enquanto preparava a salada para o almoço, lembrei da minha amada esposa, já sabendo como ela agiria neste caso. Não, não fiz o trato com Longuinho. Seria hipocrisia de minha parte. Apenas terminei de cortar o tomate e retornei à sala, onde já estivera um minuto antes. Então, olhei para baixo e, sobre uma das cadeiras, embaixo da mesa, o que vejo? Sim, a carteira! Havia caído e ficara escondida.

Chorando de saudade da Cármen, paguei pelo trato: dei três pulos!

Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
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