Caixa Postal 59
Esta postagem foi publicada em 7 de junho de 2013 e está arquivada em Caixa Postal 59.

Saudosismo não é coisa de museu

Não sei se todas as pessoas de minha geração (tenho 62) são saudosistas. Dizem que ter saudades é coisa de museu, de velho. Pois, eu confesso, sou saudosista, mas não me considero peça de museu, nem velho. E, como bom saudosista, tenho saudades de muitas coisas de minha juventude em nossa cidade. Para citar algumas, e, para não ficar maçante e pesado, vou grafar apenas uma vez, no começo, a frase “TENHO SAUDADE”, após, vou citar de quem e/ou do que. Vamos lá. Tenho Saudade: do Cinema Central, junto com o Café Central, onde se comprava balas e outras guloseimas para serem saboreadas junto às sessões de matinés (lembram dos seriados de bangue-bangue?), das trocas de gibis na entrada? Dos filmes de faroeste, quando batíamos pés quando a cavalaria e/ou os mocinhos atacavam os bandidos; do inovador e moderno Cine Cruzeiro, com sua arquitetura vanguardista, com luminárias indiretas e coloridas e modernas cadeiras estofadas, tudo novo, em matéria de início da década de 60; dos conjuntos musicais: GEU- Boys, Mini GEU-Boys, Watermelon Sound Memoryes, do Ata, Carneirinho, Luiz Carlos Cunha, Pitelkov e Maurinho, The Jokers, do Leko, Paulo Dietrich, Paulo Bolacha, Badico e Cimirro; das bandinhas: Tricolor, Ideal, Continental (de meu pai), que abrilhantaram muitos bailes de kerb de chope, carnavais e bailes de casais e de estudantes; da premiada Banda Marcial do Colégio Santa Teresinha; dos desfiles de Sete de Setembro (onde tive o prazer de desfilar diversas vezes pelo Rodolpho e CNEC); do “sorvete” de maria-mole do Armazém do Oitenta, nos tempos do primário no Rodolpho; da sopa da D. Concha (no horário da merenda); do nariz entupido da Padaria Sumaré; do Café Colombo, com seus picolés e sorvetes e a insuperável batida de abacaxi alcoolizada; do Bar Taquarense, com suas mesas de snooker (e o cemitério dos calaveras, lembram?); do Bar do Julinho (depois do irmão Carlos de Brito), e seu famoso sanduíche três camadas; do Bar do Hotel Taquara; dos bailes de carnaval e a rivalidade quase belicosa com o pessoal de São Chico; dos bailes pré-carnavalescos (da carapuça) e pós (enterro dos ossos), nos Atiradores; da Viação Férrea e os atacados em seu entorno (Knauth e Boes, Ritter Irmãos, Irmãos  Neubarth); das figuras folclóricas: Manoelzinho, Pedrinho Cabeça, Maria Olinda, Chapéu de Praia e o  maluco rezador; da carroça de padeiro, que parava nas esquinas e batia com o cabo do relho na carroça para avisar de sua presença; do carro-pipa de leite (vaquinha mococa, lembram?), do senhor Édio  Müller, que tinha entre seus empregados o hoje mecânico Eloy Ellwanger (o vaquinha), tenho saudade do gostinho daquele leite; das festas do Divino e da Comunidade Evangélica, onde é hoje a Loja Colombo, da Guilherme Lahm; das Festas da Melancia no Fogão Gaúcho; do futebol na laje do São Luiz, com o Leko, Iso, Cesar Souza, Zé Nunes, Lambari e Cia.; do timaço do Sport Club Taquarense do início da década de 60; dos bons  times de futebol de salão (hoje futsal) do GEU e Fantasma, que eram líderes da modalidade na região e, quando se enfrentavam, era uma verdadeira guerra, tipo dos grandes clássicos; do Circo e Teatro Gira-Gira, que se instalava no terreno baldio (na época), hoje Edifício Alvorada, aliás, terreno este que tinha um trilho que formava um triângulo onde, amiúde, era usado como atalho; do Paulinho Hartz, empregado do Café Colombo, que, com um balaio, vendia amendoim torrado e costumava gritar: “olha o torradinho”, e, de sacanagem, gritava “olha o teu rabinho” (risos); dos banhos no arroio Santa Rosa (Taquara), nas terras dos Czermack (poção e panelinha); das corridas de moto e bicicleta nas ruas da cidade; das corridas de carreteras; dos quilômetros de arrancada; da tentativa de recorde do mexicano Zacateca, em ficar o maior tempo possível andando de bicicleta; das manhãs de domingo com Senna e Guga; da Sorveteria e Fiambreria São Jorge, da Dona Leda; dos folclóricos Pítia Bender e Bolívar (com sua indefectível capa).
Rui Fischer
Aposentado, de Taquara

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