
O secretário municipal de Meio Ambiente de Taquara, Luciano Campana, concedeu entrevista à Rádio Taquara nesta terça-feira (11) para esclarecer questionamentos sobre o descarte de resíduos no Morro Negro, localidade do interior do município. Segundo ele, a Prefeitura seguiu todas as orientações técnicas da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (SEMA) e da Fundação Estadual de Proteção Ambiental (FEPAM) para dar um destino adequado aos materiais resultantes da enchente de maio de 2024.
Campana explicou que o município enfrentou uma situação de excepcionalidade, assim como diversas cidades do Rio Grande do Sul, e precisou tomar medidas emergenciais para evitar o acúmulo de resíduos nas ruas. Ele informou que a destinação ocorreu em uma área já degradada, uma antiga saibreira localizada no Morro Negro, conforme previsto nas diretrizes estaduais. O local foi escolhido por atender critérios ambientais, como afastamento de núcleos populacionais, ausência de recursos hídricos e possibilidade de estabilização dos resíduos no terreno.
O secretário ressaltou que a Prefeitura realizou a triagem dos materiais na usina do Moquém antes de encaminhá-los ao Morro Negro. Entre os resíduos descartados estavam escombros, madeira, mobiliário e material vegetal, excluindo qualquer tipo de lixo doméstico ou substâncias contaminantes. Ele garantiu que o solo da área é impermeável e que os resíduos foram cobertos com camadas de saibro, reduzindo riscos ambientais. Além disso, assegurou que o local recebeu apenas resíduos provenientes da enchente e que sua utilização foi encerrada no final de janeiro deste ano.
Questionado sobre possíveis impactos ambientais, Campana afirmou que a FEPAM exige monitoramento contínuo da área e que a Prefeitura já está adotando as providências necessárias para cumprir essa exigência. Ele também mencionou a possibilidade de um programa de recuperação da área degradada, com reflorestamento para minimizar os impactos causados ao longo dos anos.
Outro tema abordado na entrevista foi a preocupação dos moradores sobre um possível risco de contaminação do lençol freático, especialmente para o poço artesiano da Escola Arlindo Martini, localizada na região. O secretário afirmou que não há indícios de contaminação e ressaltou que os lençóis freáticos podem variar de profundidade, tornando difícil afirmar qualquer relação direta entre o depósito de resíduos e a qualidade da água. Ele garantiu que estudos técnicos serão realizados conforme determinação da FEPAM para assegurar a segurança ambiental da área.
Campana também comentou sobre denúncias de invasões ao local onde os resíduos foram depositados, afirmando que houve registros de pessoas acessando a área sem autorização. Ele destacou que a entrada no local era restrita para evitar descartes irregulares e que a Prefeitura tomou medidas para reforçar o controle. Além disso, afirmou que qualquer cidadão ou entidade interessada pode solicitar informações diretamente à Secretaria de Meio Ambiente para esclarecer dúvidas sobre o processo.
Durante a entrevista, o secretário também respondeu a uma denúncia feita por uma moradora sobre um forte mau cheiro na região do Moquém, supostamente vindo de uma usina de compostagem. Ele afirmou que a Prefeitura já realizou vistorias no local e, até o momento, não constatou irregularidades. No entanto, diante da nova reclamação, ele se comprometeu a visitar a área novamente ainda nesta terça-feira para averiguar a situação.
Por fim, Campana destacou que a gestão dos resíduos sólidos é um dos grandes desafios do município e reforçou a importância da colaboração da população para evitar descartes irregulares tanto na zona urbana quanto na rural. Ele mencionou que a Prefeitura está planejando novas campanhas de conscientização e medidas para otimizar a coleta e destinação de resíduos, visando reduzir custos e impactos ambientais.


