
Do “Meu cinicário” – Tão injusta quanto a demissão do técnico de um time de futebol por mau desempenho da equipe, é a permanência dos jogadores.
SEGUIDORES
Existe, na moderna comunicação, uma figura, eu diria socio-antropológica, de muita peso para quem leva a sério as relações humanas. E quem não levaria, não é? Se convivemos num contexto social, são fundamentais as reações das pessoas com quem dividimos nosso dia a dia. Essa figura nova tem um nome, para mim, desagradável: seguidor. Sempre aparece no plural, como o nome deste comentário sugere, provando a importância da quantidade em qualquer coisa sobre a qual discutamos. Oquei, deixemos o amor conjugal de lado! No seu caso específico, tem extremo valor o singular.
Lembro de quando eu era inscrito no Twitter! Redigi um, o de número 5 (sim, tenho todos eles numerados – mania de velho, talvez), dizendo: “Socorro! Há uns caras me seguindo”. Era tentativa de jogo de palavras entre a possibilidade de alguém se inscrever na condição de ser avisado do surgimento de novos pensamentos meus, os seguidores, e a situação de insegurança de ser perseguido por esse suposto alguém. Se a memória não me engana, tive uns 50 seguidores. Faltou-me, naquela época, a perspicácia de ver a “grandeza” futura dessa rede social na comunicação política. Achei a plataforma um porre e, pois, caí fora! Dela, o que ficou de bom, foi exercitar a capacidade de síntese na escrita. O texto não podia passar de 140 caracteres. Ignoro o porquê. Por isto, a partir dali, adotei a medida em todas as minhas comunicações futuras, até os atuais “cinicários” que sempre abrem minha coluna. Tem sido um bom exercício de redação!
Eis que, no domingo passado, num acaso muitíssimo eventual, assisti a uma entrevista da atriz e cantora Cleo Pires. Independente do teor da entrevista, uma queixa da atriz contra estúpidos comentários pejorativos feitos em suas redes sociais com relação à sua forma física, chamou-me a atenção a quantidade de seguidores da moça: 11 milhões! E pensei: há uma força nova nos atos comunicativos. É a opinião de quem lê as postagens. Na verdade, essa opinião sempre existiu! Antigamente, a gente mandava cartas para a redação dos jornais e revistas, porém, como o sistema exigia escrita, envelopamento e ida à agência dos Correios para enviar, poucos se prestavam a isso. A mudança operou-se na mídia. Atualmente, é muito mais fácil elogiar e criticar! A mídia obedece ao dedo indicador no celular. E o respeitável público exerce a possibilidade.
Pense bem: se apenas 5% dos seguidores escreverem uma ofensa, já serão 550.000. Tem que ter muito estômago para ler/ouvir tanto desaforo.
Por Plínio Dias Zíngano
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