Desmanches de veículos em Taquara fariam parte do esquema criminoso. Fotos: Divulgação
A Delegacia de Roubos do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) reuniu, nesta terça-feira (04), 90 agentes da Polícia Civil para cumprir 19 mandados de busca e apreensão em Taquara – onde um helicóptero deu apoio às buscas em um sítio – São Leopoldo, Canoas e Torres, além de ações em Santa Catarina, Paraná e São Paulo relativas à lavagem de dinheiro. Em um sítio, no interior de Taquara, até às 8h, seis suspeitos foram presos em flagrante por porte ilegal de arma de fogo.
No sítio, a polícia apreendeu sete armas – rifles e revólveres – e munição. Mas, o que chamou a atenção dos policiais foi uma garrafa com vodca no formato de um fuzil e outra garrafa com uísque no formato de uma granada. Os agentes fizeram várias buscas no local, por meio de mandado judicial, para tentar encontrar um fuzil.
O sítio tinha ainda vários animais, como arara, mini bois, cavalos e emas. A infraestrutura do local conta com lago, pedalinho, piscina e central de monitoramento de câmeras dentro de uma baia e também da casa principal. O responsável possui ainda uma coleção com centenas de facas. Estes detalhes chamaram a atenção dos agentes, principalmente porque os suspeitos são investigados também por lavagem de dinheiro.
Plano
Em 2020, uma quadrilha gaúcha de assaltantes de bancos, mas também ligada ao tráfico de drogas e armas, planejou roubar fuzis e pistolas do depósito do Instituto-Geral de Perícias (IGP) em Porto Alegre. Como o líder do grupo foi detido, o plano não foi levado adiante, mas, nos últimos meses, após a liberdade dele, a Polícia Civil descobriu que esta mesma quadrilha voltou a se articular para botar em prática o que tinham elaborado.
Eles se passariam por policiais civis, com roupas e viaturas falsas para entrar no local e roubar fuzis e pistolas apreendidos para perícia. Não há mandados de prisão, o objetivo é buscar mais provas contra os 15 suspeitos que estão sendo responsabilizados em inquérito do delegado João Paulo de Abreu.
Grupo envolvido com roubo de carros e Centros de Desmanches de Veículos
Além de cumprirem hoje mandados de busca em São Leopoldo, Canoas e Torres contra criminosos que estavam planejando roubar fuzis e pistolas do Instituto-Geral de Perícias na Capital, agentes do Departamento de Investigações Criminais realizaram buscas, com apoio de um helicóptero e da Força-Tarefa de Desmanches da Secretaria de Segurança Pública, em dois CDVs do Vale do Paranhana, Centros de Desmanche de Veículos.
O delegado João Paulo de Abreu descobriu que o grupo também estava envolvido no roubo de automóveis, levando os mesmos para Taquara e, desta forma, eram clonados e enviados para o Paraguai para serem trocados por drogas. Houve buscas também fora do Estado em relação à lavagem de dinheiro.
Quadrilha também é suspeita de lavagem de dinheiro superior a R$ 40 milhões
Após cumprir mandados de busca contra grupo que planejou roubar fuzis e pistolas do depósito do Instituto-Geral de Perícias da Capital e que também enviava carros roubados para o Paraguai, depois de suposta clonagem em centros de desmanches veiculares no Vale do Paranhana, a polícia diz que há mais investigações.


A quadrilha, que também está envolvida no tráfico de drogas e roubos a bancos, lavou R$ 44 milhões de reais desde 2019 com pelo menos 12 laranjas de Santa Catarina, Paraná e São Paulo. Além de depósitos em contas bancárias, havia investimentos em empresas e aquisição de bens. A investigação continua.


