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“Sem querer querendo”: poeta taquarense homenageia Chapolin

Em poema, Armando Severo lembrou da vida difícil e marginalizada do homem em situação de rua encontrado morto nesta quinta-feira
(Foto: Gilson Paiva)

O poeta taquarense Armando Severo prestou uma homenagem a Luiz Carlos Farias da Silva, conhecido como “Chapolin“, morador de rua encontrado morto na quinta-feira (14) no bairro Jardim do Prado. O poema intitulado “Sem querer querendo” retrata a vida marcada por dificuldades, vícios e marginalização de Chapolin.

Para Armando, o poema foi uma forma de se despedir e refletir sobre a vida de Chapolin, que muitas vezes passava despercebida pela cidade.

“Não sei se é o suficiente, mas foi a minha maneira de dizer adeus ao Chapolin, encontrado sem vida. Largado como um objeto descartável”, disse o poeta.

Armando também compartilhou lembranças dos encontros com Chapolin, que era uma presença constante em seu trajeto habitual no centro da cidade.

“Encontrava com ele todos os dias, me chamava, ora de ‘pai’, ora de ‘padrinho’. Como moro quase em frente ao Rissul, era inevitável encontrá-lo. Confesso que, às vezes, desviava o caminho por não ter as moedas que ele precisava ou queria”, contou.

Segundo o poeta, Chapolin era sempre respeitoso, mesmo nas abordagens em que pedia ajuda.

“Nunca faltou com respeito e até pedia desculpas pela abordagem. Sempre dizia ‘Deus te abençoe’, como se ao jogar estas palavras ao vento, tivessem um efeito ricochete e acabassem por reconfortá-lo”.

Armando descreveu também a complexidade da vida de Chapolin, marcada por dores e incógnitas.

“Alma machucada que carregava um imenso ponto de interrogação. Tudo era desconhecido”.

O velório de Chapolin ocorre na Capela Municipal de Taquara, e o sepultamento será às 16h, no Cemitério Municipal de Taquara, nesta sexta-feira (15).

HOMENAGEM

“Foi sem querer querendo”
Corpo num beco.
Sem saída?
A liberdade chegou
por vias tortas.
Perdia a vontade de viver,
a cada pedra fumada
a cada trago engolido,
Sempre à margem
sem saber o motivo
de estar ali.
Viveu como quem
se pergunta, é só isso?
Beco sem saída.