
A Câmara de Vereadores de Taquara recebeu, na última sexta-feira (28), uma roda de conversa sobre “Saúde Mental e Redes de Apoio”, dentro da programação da Semana da Pessoa com Deficiência. A atividade reuniu profissionais das áreas de saúde, educação e assistência social, representantes de instituições, estudantes, familiares e integrantes do poder público para abordar diferentes aspectos relacionados à inclusão e ao cuidado das pessoas com deficiência.
A programação também integrou o calendário da 32ª Semana Estadual da Pessoa com Deficiência, promovida pela Fundação de Articulação e Desenvolvimento de Políticas Públicas para Pessoas com Deficiência e Pessoas com Altas Habilidades no Rio Grande do Sul (Faders). Na abertura, foi destacada a importância de ampliar a compreensão sobre acessibilidade para além das adaptações físicas, incluindo comunicação, respeito, acolhimento, saúde mental, família, escola e redes de apoio.
Antes da roda de conversa, estudantes de escolas municipais realizaram apresentações voltadas à temática. Alunos da Escola Municipal de Educação Especial Lucas Sauer apresentaram a peça teatral “Cada Jeito de Ser Faz o Mundo Melhor”, abordando inclusão, respeito, pertencimento e valorização das diferenças. Já estudantes da Escola Municipal de Ensino Fundamental Emílio Leichtveis apresentaram uma paródia desenvolvida durante as aulas de musicalização, com reflexões sobre diversidade, equidade e combate ao preconceito.
Um dos assuntos debatidos foi a inclusão de pessoas com deficiência no mercado de trabalho. A professora Miriam Freitas e integrantes do Comitê de Acessibilidade da Calçados Bottero compartilharam experiências relacionadas à adaptação das atividades profissionais conforme as necessidades de cada trabalhador. Também foram apresentados relatos de pessoas com deficiência e familiares sobre os efeitos do trabalho no desenvolvimento da autonomia e da independência.
Durante sua participação, Miriam relatou experiências pessoais como pessoa com deficiência física adquirida e como irmã de uma pessoa com deficiência intelectual. Ela chamou a atenção para as deficiências não visíveis e para os impactos que as responsabilidades relacionadas ao cuidado podem produzir sobre familiares.
Representantes da Calçados Bottero também ressaltaram que a inclusão profissional não deve se limitar ao cumprimento das cotas previstas na legislação. Os integrantes da companhia destacaram que a empresa busca analisar as características de cada trabalhador para definir atividades e ambientes adequados, considerando questões como ruídos, circulação de máquinas e outros fatores relacionados à segurança e ao bem-estar.
As psicólogas Camila Lan Vieira e Kathleen Viana, integrantes de um grupo de estudos das Faculdades Integradas de Taquara (Faccat), abordaram a relação entre saúde mental, deficiência, acolhimento e autonomia. Segundo as profissionais, a construção da saúde mental envolve fatores como escuta sem julgamento, respeito, pertencimento, apoio e participação social.
As psicólogas também destacaram a importância de perguntar à pessoa com deficiência como ela deseja ser auxiliada, evitando atitudes que possam reduzir sua autonomia. Entre os pontos discutidos estiveram a superproteção familiar, a infantilização de adultos com deficiência e a necessidade de incluir essas pessoas nas decisões relacionadas à própria vida.
A atuação articulada das redes de atendimento também esteve entre os temas centrais. A psicóloga Juliane Zamboni Chaves, coordenadora do CAS TEAcolhe de Igrejinha, apresentou o funcionamento do serviço especializado destinado às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e àquelas encaminhadas para investigação diagnóstica. Conforme explicou, o acesso ocorre pela Atenção Primária à Saúde e pela regulação dos municípios.
Juliane informou que o CAS TEAcolhe de Igrejinha atende mais de 150 pessoas e realiza mais de 1,2 mil atendimentos mensais. O serviço atende municípios da região e conta com equipe multiprofissional. A coordenadora ressaltou que o acompanhamento depende da articulação entre saúde, educação, assistência social, famílias e demais serviços envolvidos no cuidado.
Representantes municipais também trataram das demandas existentes e dos desafios para ampliar os atendimentos. Durante o debate, foi relatada a existência de pessoas aguardando serviços especializados e ressaltado que usuários e famílias podem receber acompanhamento por diferentes pontos da rede municipal enquanto aguardam determinados atendimentos. A limitação de recursos financeiros também foi apontada como um dos desafios para a expansão dos serviços.
Ao longo da atividade, os participantes defenderam o fortalecimento do trabalho conjunto entre poder público, instituições, empresas, escolas, profissionais e famílias. A discussão reforçou que inclusão envolve não apenas garantir o acesso aos espaços, mas também proporcionar condições para participação, autonomia, pertencimento e exercício de direitos pelas pessoas com deficiência.


