De 6 de fevereiro até 15 de maio, Panorama publicou, na versão impressa, série especial com os vereadores de Taquara. Confira a matéria publicada em 24 de abril com a vereadora Sandra Schaeffer (PSDB).
Eleita em 2012 com 483 votos para o seu primeiro mandato, a vereadora Sandra Schaeffer (PSDB) busca, em seu trabalho diário, focar a atuação nos interesses das pessoas e de Taquara. “Independente de qual partido esteja na Prefeitura ou na Câmara, o diálogo e o entendimento entre Executivo e Legislativo são a melhor solução. Ou remamos todos juntos para o lado do desenvolvimento, ou permanecemos estagnados, com cada grupo remando para um lado diferente”, avaliou Sandra, em entrevista ao Panorama.
Natural de Taquara, com graduação em Licenciatura em Ciências Físicas e Biológicas pela Unisinos, foi professora durante 10 anos em escolas municipais, estaduais e particulares de Taquara e região. Também foi microempresária no segmento de moda e vestuário, atuando há mais de uma década na causa da proteção animal. “Trabalho como voluntária na proteção aos animais de rua há mais de 15 anos. Antes disso, fazia voluntariado em Assistência Social. Também passei quase 20 anos atuando em contato direto com as pessoas como professora e lojista. As realidades que encontrei me deixavam inquieta. Percebi que os animais estavam abandonados à própria sorte, mas também me dei conta de que as pessoas estavam na mesma situação. Enfim, cansei de esperar. Eu via, em muitas cidades, iniciativas dando certo: cidades limpas, bonitas, moradores satisfeitos e com boa qualidade de vida. Por que em Taquara não poderia ser assim? Com esse questionamento, decidi aceitar o grande desafio de me candidatar para vereadora. Graças à confiança das pessoas, tive a honra de me eleger e iniciei minha atuação política em 2012, começando o mandato em 2013”, comentou Sandra.
Para a parlamentar, no entanto, teve uma visão sonhadora do papel do vereador. “Acredido que isso aconteça com todas as pessoas. Nós imaginamos que as coisas são mais fáceis, até começarmos a fazer. Percebo, hoje, o quanto tudo é mais lento e complexo na esfera pública, mas isso não nos isenta das responsabilidades de lutar pelo que precisa ser feito”, analisou. Sandra lembra que, ao contrário do que pensa a maioria da população, um vereador não pode “colocar a mão na massa” e executar qualquer mudança. Além disso, também não pode criar leis e projetos que impactam o custo do Município. “Em resumo, os vereadores fazem a intermediação entre a comunidade e o Executivo, representando os interesses da população, fazem indicações que contemplam esses interesses, fiscalizam a administração municipal e a aplicação de recursos, elaboram leis de competência municipal e trabalham em comissões da Câmara para elaboração e avaliação de projetos”, explicou.
“O que ocorre é que os vereadores não têm poder, autonomia ou recursos para atender a maioria das solicitações que chegam a eles. Então, fazem o meio de campo, encaminhando esses pedidos ao Executivo e estudam de que forma leis e projetos podem trazer benefícios à cidade. O entendimento de responsabilidades no âmbito municipal traria muito menos frustração aos cidadãos e seus representantes”, analisou. Para Sandra, hoje os vereadores estão trabalhando em parceria para viabilizar muitos projetos, mas a atuação depende de muitas etapas e não apresenta os resultados com a agilidade desejada. “Em 2014, houve uma mobilização regional dos vereadores para pressionar o Daer a tomar providências para minimizar o risco aos cidadãos nos trechos das rodovias que cortam nossos municípios e sobre os quais não temos nenhum poder de decisão. Embora tenhamos trabalhado muito nessa iniciativa, pouco se pode observar de mudanças reais. Isso irrita a comunidade, que pensa que o vereador não faz nada, só fica lá recebendo dinheiro público, e irrita muito os vereadores, que têm a sensação de nadar, nadar, nadar e morrer na praia”, ponderou.
Projeto Ama Taquara contém mais de 20 propostas
Falando sobre os projetos que propôs em seu mandato, Sandra Schaeffer explicou que, em sua candidatura, lançou uma proposta central, que é o Ama Taquara, o qual contém mais de 20 iniciativas de impacto social, econômico e ambiental. “Ele é bem abrangente e propõe muitas iniciativas interligadas dentro dos temas Taquara Saudável, Taquara Limpa, Taquara Bonita e Taquara Feliz. Mas, como comentei anteriormente, não podemos fazer projetos que criem custo ao Município. Então, em vários casos, fiz uso das indicações (uma ferramenta dos vereadores para apresentar sugestões ao Executivo) para sugerir projetos que julgava de interesse da comunidade”.
Sandra lembra que, é de conhecimento geral, ser a área ambiental a que mais atua, com carinho especial pela causa animal. “Ouvi de muitos eleitores que não fui escolhida para trabalhar pelos animais e sim pelas pessoas. Pelo que tenho visto, defender a causa animal é também defender uma qualidade de vida melhor para todos os cidadãos que se preocupam com os animais em sofrimento, sejam os seus próprios ou os de rua. Dessa forma, os projetos que apresentei incluem muitas iniciativas de defesa animal que trariam qualidade e paz de espírito à comunidade também, mas não só isso: acredito que muitos projetos ambientais trariam mais qualidade de vida à população, inclusive com a prevenção de doenças”, comentou.
Sandra citou entre os projetos o de arborização urbana, que prevê a padronização central com a árvore Manacá da Serra, que tem crescimento rápido e floração bonita, com o objetivo de embelezamento das vias públicas e a criação de sombra para pedestres e carros. O projeto, segundo Sandra, está prestes a ser implantado pela Prefeitura. Também foi de autoria da vereadora a sugestão para criação do Horto Municipal, espaço que servirá para cultivo de espécies nativas, frutíferas, exóticas, medicinais e ornamentais. “As plantas serão usadas no paisagismo da própria cidade, nas oficinas de educação ambiental para estudantes, professores e cidadãos em geral, além de outras propostas de uso ainda em estudo. O Horto está em fase de implantação em terras do município”, explicou.
A vereadora sugeriu também o projeto Uma Árvore, Uma Vida, que busca associar cada recém-nascido em Taquara a uma nova árvore plantada, que receberá o nome da criança e deverá ser cultivada por ela. Segundo Sandra, o projeto será lançado na Semana Municipal do Meio Ambiente e tem como principal objetivo o fomento à consciência ambiental. A criação de uma Clínica Veterinária Municipal também está entre as sugestões da vereadora. De acordo com Sandra, o Executivo foi muito sensível ao problema dos animais de rua e entendeu que a cidade teria melhor custo-benefício criando sua própria estrutura. “A Secretaria de Meio Ambiente já está com a planta aprovada e possui recursos para instrumentar a clínica. Fiz publicamente um pedido para que o presidente da Câmara avaliasse a possibilidade de destinar parte das economias da Casa para auxiliar na construção do prédio da clínica”, explicou Sandra.
A vereadora ainda trabalhou no projeto de Guarda Responsável de Animais, que incentiva os princípios da posse dos animais de estimação com as crianças, ensinando valores fundamentais de respeito e cuidado nas escolas. Segundo Sandra, a Secretaria de Educação abraçou a proposta e irá implantá-la a partir do segundo semestre. “Considero meus projetos um trabalho de formiguinha. Eles não causarão uma grande mudança, ao contrário, são questões pequenas, quase invisíveis, que consistem num trabalho de base. No entanto, são significativos, porque tratam da chamada à consciência, buscam o entendimento de que uma boa cidade não se faz somente através de uma boa administração pública, mas também através da participação ativa das pessoas nas melhorias propostas”, acrescentou Sandra.
Além disso, a vereadora sugeriu projetos como um Hospital Veterinário Público Regional, um socorro-animal em forma de Samu Veterinário, a colocação de bancos padronizados nas calçadas, reutilização de sobras de comida de restaurantes e mercados do município, a educação sobre a responsabilidade dos proprietários de terrenos sobre a limpeza e a acessibilidade nas calçadas, bem como um trabalho mais humano e organizado com os carroceiros da cidade.


