De 6 de fevereiro até 15 de maio de 2015, Panorama publicou série especial com os vereadores de Taquara. Confira a matéria publicada no dia 13 de fevereiro, com o vereador Adalberto dos Santos Lemos (PDT).
Depois de passar oito meses atuando na condição de suplente de vereador, na legislatura de 2009 a 2012, Adalberto dos Santos Lemos (PDT) conquistou, no pleito de outubro de 2012, seu primeiro mandato efetivo na Câmara de Taquara. Ele foi eleito com 667 votos, sendo o terceiro mais votado da sigla. Natural de Rio Pardo, Beto, como o vereador é conhecido, completa, no próximo domingo, 51 anos. Há cerca de duas décadas reside em Taquara, sempre morando no bairro Empresa, onde tem uma forte atuação comunitária.
Em entrevista ao Panorama, Beto contou que residiu até os 15 anos no município em que nasceu, sempre trabalhando na roça. A moradia na zona rural também se tornava empecilho aos estudos, mas Beto manteve a vontade de aprender, deslocando-se a pé por cerca de quatro quilômetros até a escola mais próxima, improvisada na sala de um mercado cedido por uma comerciante. Ali, estudou até a quarta série. Depois, o vereador foi morar em Porto Alegre e ainda passou por Sapucaia do Sul, onde residiu por cerca de 10 anos. Neste tempo, trabalhou na função de metalúrgico e, também, no comércio.
Pois este segundo ramo marcou a vinda de Lemos para Taquara. No bairro Empresa, onde se estabeleceu, abriu um pequeno mercado, tendo o seu irmão como sócio. “Ele sempre foi meu braço direito, que cuidava do mercado durante as minhas atividades junto à comunidade”, contou Beto, lembrando a tradição dos caderninhos de anotações de compras como uma das peculiaridades dos negócios em bairros. As atividades no bairro sempre foram uma marca de Lemos, que esteve envolvido na fundação da Associação de Moradores do Bairro Empresa II (Amabe II), entidade da qual foi um dos presidentes. Segundo Adalberto, a associação possui um trabalho reconhecido no atendimento à comunidade do bairro Empresa, atuando em ações como encanamento, projetos habitacionais e, ainda, atividades de recreação. Beto lembra que uma de suas ideias sempre foi o investimento na criação de uma estrutura comunitária, que pudesse oferecer lazer e cursos à comunidade. Ainda no mandado do ex-prefeito Tito Lívio Jaeger, a Amabe-II conseguiu a doação de uma área de terras, que poderia sediar este espaço, ainda a ser construído. No trabalho voluntários, Beto também conseguiu encaminhar o término dos estudos. Ele lutou, junto à Coordenadoria Regional de Educação, para a implantação da Educação de Jovens e Adultos (EJA) e do ensino médio na escola Willybaldo Samrsla (Ciep). Conseguida a efetivação destes dois cursos, Beto concluiu os ensinos fundamental e médio em Taquara e também deu início, na Faccat, ao curso de administração de empresas, hoje trancado, mas que ele pretende retomar.
A ideia de concorrer à vereança, segundo Adalberto, surgiu da própria comunidade. Lemos conta que as pessoas do bairro identificaram a falta de lideranças que defendessem, perante o poder público, as reivindicações encampadas pela Amabe-II. Por isso, incentivaram Beto a concorrer a um cargo público. Filiado ao PDT, Beto concorreu em 2008, mas não se elegeu, ficando na suplência do partido. No segundo mandato do ex-prefeito Délcio Hugentobler (PDT), Lemos foi, primeiro, indicado como diretor de Saúde, mas chegou a exercer a função de secretário da pasta. Beto, inclusive, estava à frente da secretaria quando aconteceu toda a mobilização visando a reabertura do Hospital Bom Jesus, durante o ano de 2009. Antes de ser filiado, Lemos também presidiu o Conselho Municipal de Saúde. Durante o governo Délcio, foi ainda coordenador dos conselhos municipais de Taquara e assumiu como suplente no período em que o ex-vereador Cláudio Rocha (PDT) tirou licença para ser coordenador municipal de Defesa Civil.
Ao analisar o funcionamento da Câmara de Vereadores atualmente, Lemos entende que ainda falta um maior suporte à atuação dos parlamentares. Para Beto, seria necessária a função de um assessor, seja por bancada ou por vereador, para garantir um melhor atendimento à comunidade. Lemos avaliou que a despesa seria possível, devido à economia de recursos obtida nos dois primeiros anos da atual legislatura. Beto salienta que, somente no atual mandato, os vereadores deverão devolver à Prefeitura de Taquara cerca de R$ 4 milhões em economia. “Foi importante acabar com despesas como as diárias”, reforçou o vereador. Para Lemos, essa economia, porém, não vem sendo bem aplicada pela administração taquarense. Além do menor gasto, o vereador entende que a Câmara está trabalhando mais unida, não só entre os parlamentares taquarenses, mas também com outros legislativos regionais, discutindo assuntos de interesse do Paranhana.
Segundo Beto, a comunidade precisa entender que, se o vereador quiser trabalhar bem, terá sempre muitas demandas. Para ele, o parlamentar precisa estar alinhado à população, fazendo visitas, conhecendo as demandas e repassando as reivindicações às autoridades competentes. “É preciso tirar esse mito de que o vereador ganha muito e não trabalha. Eu, por exemplo, gasto de dois a três tanques de combustível por semana fazendo as nossas visitas, atendendo a comunidade”, comentou Beto. Segundo ele, também é realizada a fiscalização dos serviços públicos. Neste caso, citou como exemplo as muitas ocasiões em que os vereadores são chamados até o Hospital Bom Jesus. “Estamos indo atender o pedido da comunidade, mas também fiscalizado o bom funcionamento do setor público”, reforçou.
Vereador é autor de váriospedidos de audiências públicas
Comentando a atuação parlamentar, o vereador Adalberto Lemos disse ao Panorama que não apresenta projetos para “encher linguiça”. Ele definiu estes projetos como aqueles que criam leis para regular algo que já está definido por outra legislação. “É preciso ter consciência de que lei existe para quase tudo, o que cabe a nós é fiscalizar para que se cumpra as leis”, comentou. Beto salientou que uma característica sua, na Câmara, é pedir a realização de audiências públicas.
Para o vereador, este tipo de encontro permite a discussão frente a frente, com todas as partes, gravando as discussões feitas em microfone e lavrando as resoluções em ata. “Com isso, temos um documento para cobrar posteriormente o que foi acordado entre as autoridades e a comunidade”, comentou Lemos. Segundo ele, um dos assuntos discutidos em audiência de sua proposição foi o problema dos catadores de Taquara, muitos deles que não se adaptaram ao trabalho na Usina de Lixo de Moquém. Beto disse que a administração tem aplicado multa aos catadores, alegando a criação de pequenos lixões na cidade. Contudo, o vereador defendeu um trabalho de conscientização, o que foi discutido na reunião na Câmara. Uma das alternativas, segundo Beto, seria constituir um galpão de reciclagem em Taquara. O vereador comentou que este ainda é um problema não resolvido.
Também foram tratados, em reunião sugerida por Lemos, os problemas de atendimento do Hospital Bom Jesus. Participante da Comissão de Saúde da Câmara, Beto diz que os vereadores constataram que, em 2014, houve problema de gestão no hospital, o que gerou uma série de insatisfações da comunidade. Com isso, acionada pela Câmara, a direção do Sistema de Saúde Mãe de Deus, que faz a administração da casa de saúde, esteve em Taquara, no Legislativo, e promoveu a troca de comando do hospital. O vereador também foi autor do pedido de audiência para discutir a falta de água em ruas do bairro Empresa, bem como outros dois encontros em que foram debatidos o funcionamento das câmeras de vigilância e o trânsito central de Taquara. Ainda nas audiências, Lemos tratou a situação do Loteamento Habitar Brasil, que possui uma série de deficiências, e outro encontro discutiu o funcionamento da Academia de Saúde do bairro Empresa.
No tocante aos projetos de lei, Beto citou duas matérias da qual foi autor e que se tornaram leis municipais. Uma delas, cria o Conselho Municipal de Entorpecentes, cujo projeto-sugestão foi encaminhado por ele ao prefeito Tito Lívio Jaeger Filho (PTB), e depois acatado pelo chefe do Executivo, que remeteu a matéria à Câmara para aprovação. Lemos vê com importância o funcionamento deste conselho, para as políticas públicas de combate às drogas, bem como o financiamento destes programas. Segundo Beto, municípios que têm este conselho em funcionamento, podem obter, via Justiça, os recursos apreendidos em ações policiais contra o tráfico de drogas. Hoje, em Taquara, o não funcionamento do conselho faz com que estas verbas sejam direcionadas à União. Ainda com relação às leis municipais, Beto é autor de projeto que cria o aluguel social, que prevê auxílio da Prefeitura às famílias vítimas de sinistros, seja com enchentes ou até mesmo casos de incêndios.
Como metas, o vereador defende a regionalização da atuação da Câmara, com maior trabalho integrado entre os legislativos do Paranhana. Lemos ainda quer se envolver mais com o tema drogadição, para fazer o Conselho de Entorpecentes funcionar efetivamente. Ainda pretende atuar na causa animal, ajudando sua colega Sandra Schaeffer (PSDB) a buscar soluções para a área. O vereador buscará trabalhar em prol da problemática da falta de vagas na educação infantil, envolvendo a Câmara na discussão sobre as escolas desta área em Taquara. Lemos finalizou destacando que continuará lutando pela construção do dique contra enchentes no Loteamento Olaria, uma reivindicação que tem encampado há vários anos.


