Cultura e Lazer

Sexta Tem Arte: Um desafio de valor imaterial

A três apresentações do encerramento do projeto, coordenador descreve o trabalho junto à programação.
Público escolar assistiu à apresentação do Quarteto Karmã, na última sexta-feira (14). Foto: Jéssica Ramos/ Jornal Panorama.

Com programação aberta desde o início de março deste ano, o projeto Sexta Tem Arte se encaminha à fase final de apresentações. Contando com o espetáculo da última sexta-feira (14), a agenda já promoveu 13 shows de música intérprete, teatro, dança e música autoral. A três exibições do encerramento do projeto, o coordenador e músico, Kiko Souza, falou ao Jornal Panorama sobre a experiência, descrevendo os desafios e conquistas junto à programação.

“Tem sido um desafio enorme conciliar equipe técnica, artistas, agenda escolar, calendário e orçamento”, descreveu Kiko. O coordenador disse que, apesar da rotina ser corrida, ele se sente privilegiado pela experiência, principalmente com o público escolar – que é um dos focos do projeto. “As crianças têm adorado. O trabalho que tenho com a organização é enorme, mas, comparado ao resultado, fica pequeno. É muito gratificante poder ver as crianças atentas, com os olhinhos brilhando, e, ao fim das apresentações, receber os abraços de agradecimento”, relatou.

Kiko disse acreditar que a experiência tem sido ótima para o Município, gerando um valor imaterial. “Estamos plantando uma sementinha valiosa, despertando o interesse pela dança, teatro, música, pela cultura. Muitos não teriam acesso a um conteúdo como esse, com essa qualidade, não fosse por meio do Sexta Tem Arte”, disse.

O coordenador desabafou sobre a baixa representação do público em geral, e falou sobre os parceiros do projeto. “Eu não posso reclamar do projeto como um todo, tem sido maravilhoso. Mas, às vezes, acabo me entristecendo. Criamos uma programação bacana, com atrações incríveis, entrada franca, e as pessoas não valorizam como deveriam. Vemos tantas reclamações, mas quando há oportunidade, ela é desperdiçada. Uma pena. Sem dúvida, perde quem não vem”, disse.

Sobre os parceiros, Kiko disse que algumas promessas, feitas no início do projeto, acabaram não se concretizando. “É algo comum, infelizmente”. Mas, assim como algumas parcerias não aconteceram, outras surgiram no decorrer das apresentações. “São detalhes que fazem a diferença, mas fomos trabalhando para viabilizar a programação, sem ônus para o público. Tivemos que fazer muitas adaptações no cronograma, adequações nas despesas, mas acabou dando tudo certo. Não sei como vai ser quando a programação acabar. Vou sentir muita falta”, disse ele.

“Uma sementinha plantada”

Presente na última apresentação do projeto, a professora Nára Cardoso disse que tem sido ótimo poder assistir à programação. “Viemos desde o início. Assistimos a quase todos os espetáculos”, contou ela, que acompanhava uma turma do quinto ano, da escola Tristão Monteiro. A professora disse que a volta para a escola é sempre cheia de energia, e saudade também. “Os alunos gostam muito, perguntam se podem assistir algumas apresentações novamente. Há sempre uma sementinha plantada. Eu acho ótimo, porque saímos do óbvio, da rotina. Experimentamos outros ritmos, conhecemos outras pessoas. É enriquecedor para todos nós, não apenas para os alunos”, afirmou a professora.

A turma da escola Tristão Monteiro assistiu à apresentação do Quarteto Karmã, um espetáculo de música autoral, instrumental, com jazz, música eletrônica e também latina, acompanhada de projeções audiovisuais. Conforme Yvan Etienne, um dos músicos do grupo, os shows são pensados com a finalidade de provocar sentidos, sentimentos e memórias. Uma marca do Karmã, já que o nome do quarteto foi inspirado no cientista Theodore Von Karman – responsável pelos estudos da Linha de Karman (lugar onde a aurora boreal se manifesta).

“Buscamos provocar o emocional das pessoas, através dos sons, das imagens e da combinação de ambos. É diferente de ouvir, ou assistir uma banda com vocal, pois, quando há letra, você se limita a interpretações da composição. Já com o instrumental, a melodia é nossa, mas o sentimento, o significado é do público. Ao menos essa é a nossa proposta”, explicou Etienne.

Nascido na França, o músico disse que o quarteto se conheceu em shows no Brasil. Os primeiros encontros aconteceram em apresentações de palco aberto, e, conforme a ideia a amadurecia, os novos componentes foram chegando. Atualmente, o Karmã tem um ano de carreira e se prepara para lançar sua primeira coletânea, no fim desse mês, em Porto Alegre. O álbum já está disponível nas principais plataformas digitais do país.

Pausa, em virtude do feriado

Conforme o coordenador do Sexta Tem Arte, foram alteradas duas datas do cronograma, em virtude de feriados. Uma delas ocorreu em abril, na Páscoa, com a apresentação transferida para julho, e a outra acontece nessa sexta-feira (21), por conta do feriado de Corpus Christi. “É uma adaptação necessária, para não prejudicar, principalmente, o público escolar”, disse Kiko. As apresentações retornam na próxima semana, com show do músico Chico Paz.