Silvio Scopel recebe recursos e prevê pagamentos do Hospital de Taquara

Entidade recebeu recursos do Estado que estavam bloqueados judicialmente.
Publicado em 16/02/2018 20:02 Off
Por Vinicius Linden

A Associação Beneficente Silvio Scopel, atual gestora do Hospital Bom Jesus, de Taquara, confirmou ter recebido o depósito de recursos do governo do Estado que estavam bloqueados judicialmente. O montante foi liberado nesta quinta-feira pelo juiz Norton Benites, que cuida da ação civil pública a respeito da intervenção no hospital. O depósito nas contas da Silvio Scopel aconteceu na tarde desta sexta-feira e foi revelado pela atual direção da casa de saúde em reunião com vereadores, na sede da Câmara, durante a tarde. A direção da Scopel quer começar a fazer os pagamentos no decorrer da próxima semana.

Por meio deste repasse do Estado, que soma R$ 2 milhões, a Justiça mandou, através de um acordo firmado pela Silvio Scopel, Instituto Vida (antigo gestor), governo do Estado e Ministério Público, ser efetuado o pagamento de débitos vencidos com funcionários que atuaram na casa de saúde. Haverá a quitação de 20% do salário de novembro, 19 dias de dezembro, 50% do décimo terceiro salário e as competências do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) de novembro e dezembro. A diretora-administrativa do Hospital, Alexandra Camargo, esclareceu que os pagamentos ocorrerão no decorrer da semana, uma vez que a Silvio Scopel tem toda uma responsabilidade com a prestação de contas e precisa se certificar de que todos os dados estejam corretos para repassar os valores. O advogado Roger Jacobi, da Associação, explicou que, quanto às demais pendências de FGTS do Instituto Vida, não serão quitadas com estes valores e, sim, com eventuais bloqueios feitos nas contas da antiga gestora.

Na reunião com os vereadores, a diretora e o advogado explicaram o andamento do funcionamento do Hospital Bom Jesus. Alexandra pontuou a necessidade de uma mudança cultural na casa de saúde, e, com 20 anos de experiência na área hospitalar, disse que nunca atuou em um local com tantos problemas como em Taquara, classificando o cenário encontrado como, praticamente, de terra arrasada. Segundo a diretora, há pontos críticos em áreas documentais, de processos, estrutura e físicos que precisam ser regularizados. A diretora acredita que o prazo de 120 dias determinado para a gestão provisória da Scopel será de turbulências e, só a partir de eventual prorrogação, se for determinada, haverá mais calmaria. Alexandra e Roger asseguraram que a Silvio Scopel trabalha com a intenção de participar do chamamento público que a Prefeitura de Taquara terá que fazer para escolher a nova entidade gestora do hospital.

Funcionamento da casa de saúde

Na reunião com os vereadores, foram tratadas questões específicas do funcionamento do hospital, como a escala de médicos. Alexandra admitiu eventuais problemas no preenchimento dos horários, em especialidades como a obstetrícia e pediatria, mas assegurou que trabalha para todas as escalas estarem completas. Acrescentou que uma das dificuldades enfrentadas é com relação à situação em que se encontrava o hospital, pois muitos médicos têm se recusado a atuar na casa de saúde e alguns, em certas ocasiões, exigem pagamento à vista.

No tocante ao serviço de raio X, disse que as imagens estão sendo feitas, mas, por enquanto, ainda sem a emissão dos laudos, o que o hospital está tentando regularizar. O tomógrafo do hospital está com problemas desde 4 de janeiro, no dispositivo de foco fino, e, segundo a diretora, o conserto custa R$ 100 mil. Na próxima semana, um técnico deverá ser chamado, de São Paulo, para tentar programar o equipamento para não usar este tipo de foco. As ecografias estão sendo feitas, mas, atualmente, há apenas um médico e Alexandra disse que, na segunda-feira, terá reunião com outro profissional para ter dois atuando nesta área.

As negociações com fornecedores e prestadores de serviços, segundo Alexandra, também tem sido difíceis, pelo histórico do hospital. De acordo com a diretora, sempre há desconfiança em relação a quando ocorrerão os pagamentos. Mesmo assim, Alexandra reforçou alguns avanços que foram obtidos, como a redução nos valores pagos em serviços como a tomografia terceirizada, translados, entre outros. Com relação à Vigilância Sanitária, Alexandra disse que são 290 apontamentos que merecem atenção. “Costumo dizer que o hospital está sendo reestruturado e revitalizado”, frisou.

No que se refere ao financiamento das atividades do hospital, a diretora reconheceu que o governo do Estado, eventualmente, atrasa em repasses, além de promover descontos. Citou como exemplo descontos que vem sendo feitos atualmente, mas que se referem a serviços de saúde mental de 2016. Estas situações geram atenção da gestão para evitar as chamadas glosas no futuro. Com relação às verbas da Prefeitura de Taquara, assegurou que estão em dia e todos os contratos assinados. Alexandra frisou que, mesmo no curto período em que a Silvio Scopel está à frente do Hospital, conseguiu aumentar o faturamento da casa de saúde, com a implantação de processos de gestão que incrementaram, por exemplo, as autorizações de internação hospitalar (AIHs).

A diretora falou aos vereadores sobre questões relacionadas a funcionários da casa de saúde. Detalhou mudanças que estão sendo feitas nas rotinas, que, em algumas ocasiões, podem gerar incompreensão. Uma delas diz respeito à área de alimentação, que deverá sofrer intervenção nos próximos dias, uma vez que, hoje, o hospital serve cerca de 600 refeições por dia, inclusive com um valor de R$ 1,00 cobrado de pessoas que vão até a casa de saúde. Haverá, segundo Alexandra, um maior controle nesta área. No tocante à insalubridade, que gerou dúvidas entre os funcionários, a diretora explicou que uma empresa fará análise sobre os percentuais que devem ser pagos em cada um dos setores do hospital. O advogado Roger reforçou que insalubridade é um direito do funcionário e, portanto, não pode haver corte. Acrescentou que a Silvio Scopel pretende cumprir todas as regras trabalhistas, inclusive convenções coletivas que não vinham sendo observadas.

Vereadores terão comissão para acompanhar andamento do hospital

O presidente da Câmara de Vereadores, Guido Mário Prass Filho (PP), e os demais parlamentares presentes à reunião desta sexta-feira manifestaram a intenção de alinhar, com a direção do hospital, um contato mais frequente para esclarecer as questões relacionadas à casa de saúde. Para tanto, na sessão da próxima segunda-feira, deverá ser criada uma Comissão de Acompanhamento do Hospital na Câmara, que terá um membro de cada partido com representação no Legislativo. Além do presidente Guido, estiveram presentes à reunião desta sexta-feira os vereadores Sirlei Silveira (PTB), Levi Lima (PTB), Magali Silva (PTB), Marlene Haag (PTB), Adalberto Soares (PP), Sandra Schaeffer (PP) e Luis Felipe Luz Lehnen (PSDB).

Vereadores de Taquara receberam nesta sexta-feira direção do Hospital Bom Jesus para tratar do funcionamento da casa de saúde. Vinicius Linden/Jornal Panorama

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