
SOBRE DESEJAR A MORTE
Esse não seria o tema dessa coluna nessa semana. Porém, as redes sociais, e algumas pessoas em especial, tanto falaram sobre o assunto que resolvi elucidar algumas coisas sobre o tema.
Primeiramente, é obvio que ninguém deseja a morte de Bolsonaro. Todos desejamos que ele saia dessa firme e forte para que a justiça decida sobre as acusações que existem contra ele e contra seus filhos.
Em segundo lugar, o fato de muitas pessoas estarem usando frases que tendem a dar a impressão de que há um desejo de que Bolsonaro morra, é apenas uma forma de denúncia. As frases escolhidas e espalhadas nas redes nos últimos dias saíram da boca do próprio Bolsonaro ao falar de outras pessoas; foram proferidas pelo próprio quando questionado sobre milhares de mortes no país que ele “governa”. Se há alguma mente que deseja morte e profere palavras necrófilas essa mente é a do próprio Bolsonaro.
Terceiro, o papo da empatia agora cai muito bem para os apoiadores de Bolsonaro. Agora estes pedem que se tenha empatia e que as pessoas sejam mais cristãs. Entretanto, me parece que essas mesmas pessoas não pensaram no significado da palavra empatia quando essas frases foram ditas em alto e bom som por este que hoje está hospitalizado. Não pediram empatia por parte dele quando este imitava uma pessoa com falta de ar, em tom de chacota e demonstrando não ter um mínimo de respeito pelos doentes e por seus familiares. Não cobraram empatia quando as respostas aos questionamentos dos jornalistas se resumiam em: “E daí?”; “Não sou coveiro”; “Lamento, mas é o destino de todo mundo”; “Vão ficar chorando até quando?”; “Caguei”, e por aí vai.
Por fim, vou voltar a um ponto anterior, porque o que pretendo com essas linhas é que não reste dúvida alguma sobre o que se quer dizer quando se divulga, compartilha ou comenta favoravelmente as postagens que circulam com os dizeres acima citados: É uma forma de DENÚNCIA! As pessoas apenas estão demonstrando que, quando as falas são utilizadas contra quem as proferiu, a visão que alguns seguidores de Bolsonaro têm sobre elas é muito diferente.
Quem sabe no fundo sejam tão boas pessoas que apenas queiram que Bolsonaro saiba como é ouvir o que ele mesmo diz. Talvez até mesmo queiram que ele entenda o que significa a tão falada “empatia”. De todo modo, gostaria de saber por que quando Bolsonaro as proferiu, seus seguidores e apoiadores não se revoltaram como agora se revoltam e não o condenaram como agora condenam as pessoas que reprisam suas falas? Será falta de interpretação ou falta de caráter mesmo? Ou ambas as coisas?
Por Ana Maria Baldo
Professora, de Taquara
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