
Do “Meu cinicário” – Vacinas reforçam nosso sistema imunológico contra agentes patogênicos. É adaptação da natureza. Grosso modo, um tipo de transgenia.
“SOMOS TODOS ESCRITORES. (…)
Às vezes, fico pensando no verbo “escrever”. À primeira vista, imaginamo-nos com caneta ou lápis, colocando símbolos sobre folhas de papel. No entanto, nem sempre foi assim e já estamos em alta velocidade rumo a deixar de ser assim. Este texto, claro, nem de longe viu o papel e, muito menos, foi grafado com caneta. Aliás, houve época em que a base das mensagens era a pedra, o barro, o couro de carneiro. Os instrumentos para gravar o texto foram cunhas de metal, osso, madeira, qualquer objeto utilizável para marcar a superfície onde se escrevia. Entretanto, não importando a metodologia de produção, uma coisa pairou, soberana, sobre o resultado da escrita: o pensamento. Um texto nasce no cérebro e vem à tona graças aos meios à disposição de quem aceita o desafio de pari-lo. Um tanto malandramente, fiz um levantamento de algumas frases, elaboradas por escritores famosos, cujo escopo foi o ato de escrever. Meus leitores conhecem minha mania de criar definições. Elas sempre abrem meus textos. Agora vou dar uma olhada no trabalho dos outros.
“Escrever é fácil: você começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto final. No meio você coloca ideias” (Pablo Neruda, talvez o mais importante poeta chileno). Pois é, quem disse que grandes artistas são mal-humorados? Mas não acreditem nessa “facilidade”. Veja o depoimento de um dos maiores escritores americanos do século passado: “Reescrevi 30 vezes o último parágrafo de ‘Adeus às Armas’ antes de me sentir satisfeito” (Ernest Hemingway, prêmio Nobel de Literatura em 1954). Neruda estava nos trolando!
“Perdoe-me, senhora, se escrevi carta tão comprida. Não tive tempo de fazê-la curta” (Voltaire, francês, um dos grandes cérebros do Iluminismo). Parece o próprio criador da antítese. Mas tem razão. Escrever concisa e claramente é uma tarefa árdua, exigindo muito conhecimento do idioma. Voltaire era um craque e, aqui, demonstrou sua habilidade. A seguir, novamente, a ironia diz presente. Apresento Fabrício Carpinejar, poeta e cronista gaúcho: “Cada um escreve do jeito que respira. Cada um tem seu estilo. Devo minha literatura à asma”.
Cheio de inveja, dou minha contribuição a esta crônica afora ela própria: “Escrever é liberdade! O escritor toma fatos reais e diz que é ficção ou toma ficção e diz que é realidade. Quer dizer, pode mentir sempre!”.
Completo, agora, o título deste comentário (veja lá em cima): (…) Só que uns escrevem, outros não” (José Saramago, o único Nobel de Literatura na língua portuguesa).
Por Plínio Dias Zíngano
Professor, de Taquara
[Leia todas as colunas]


