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Publicado em 27/08/2021 15:16 Off

Steam Deck, outro concorrente entra no ringue dos consoles de videogame

Admito que nunca esperei que um novo console de videogame fosse lançado durante a pandemia. É difícil acreditar que existam componentes o suficiente para manter a demanda para produção, isso já foi tema de outro texto meu nessa coluna. Só para refrescar a memória, devido a pandemia, Sony, Nintendo e Microsoft tem lutado para conseguir manter a produção de consoles e não causar aumentos bruscos nos preços dos mesmos. Só para ilustrar o problema, o Playstation 5 está em falta no mercado, em especial nos Estados Unidos, onde algumas lojas fazem lista de espera para compra do console. Algumas lojas vendem o console por quase US$1000, o dobro dos US$499 prometidos pela Sony antes do lançamento.

Mesmo nesse cenário nada agradável, a Valve decidiu programar o lançamento do Steam Deck para dezembro de 2021. A Valve, mais conhecida pela sua plataforma de jogos para computadores pessoais, o Steam, é uma das empresas mais lucrativas de jogos digitais. Fundada em 1996 por ex-funcionários da Microsoft, a empresa ganhou evidência após o lançamento de Half-Life, um jogo de tiro em primeira pessoa famoso por sua narrativa e level design criativo. Avaliada em mais de US$ 3bi, a Valve passou a ser uma empresa extremamente lucrativa com o início da venda de jogos por download, na qual a plataforma Steam ainda é líder de mercado.

Precisamos lembrar que a essa não é a primeira tentativa de empresa entrar no ramo de hardware para jogos digitais. Em 2015 a Valve desenvolveu uma especificação de hardware para jogos, onde diversos fabricantes poderiam produzir sua própria versão dessa especificação, utilizando a marca da Valve. Lembrando que essa ideia já tinha sido utilizada anteriormente pela 3DO, em meados dos anos 1990, e teve um breve sucesso até ser enterrada pelo sucesso do primeiro Playstation.

O projeto, conhecido como Steam Machine, não decolou entre outras coisas, pelo preço de vendas das unidades que, mesmo utilizando hardware semelhante à de computadores na época e um sistema operacional baseado em Linux, custavam bem mais que um computador com hardware topo de linha.

Voltando ao Steam Deck, a Valve produzirá o console por conta própria dessa vez, permitindo apenas variações em relação à capacidade de armazenamento de cada versão, que deve variar entre 64GB e 512GB. O preço sugerido inicia em US$399, o que pode ser considerado alto para um console que utiliza hardware baseado em computadores pessoais. O console não utiliza nenhum tipo de mídia física, sendo necessário acesso ao Steam para baixar os jogos e para jogar online. O design do console segue a linha do Nintendo Switch, sendo inicialmente um console portátil mas, com a possibilidade de ser ligado a uma base para ser ligado a um televisor.

Por fim, fica a dúvida se um console, relativamente caro e sem lançamentos exclusivos pode prosperar no já tumultuado mercado de consoles de videogame. Embora inicialmente pareça um concorrente fraco, o Steam Deck já chamou atenção de alguns grupos de jogadores e desenvolvedores. Entre os desenvolvedores independentes, é uma oportunidade para produzir jogos para um console de videogame sem a necessidade de contratos caros com o fabricante do hardware, já que o hardware do console utiliza arquitetura de computador, não necessitando de um kit de desenvolvimento fechado. Já os jogadores que se interessaram pelo console, buscam uma forma simples de jogar, sem a necessidade de realizar grandes configurações.

Agora nos resta esperar até dezembro para sabermos qual será o destino do Steam Deck.

Por Guilherme Schirmer da Costa
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