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STJ mantém prisão preventiva de químico acusado de adulterar produtos lácteos no RS

Ministro do STJ negou liberdade ao “Mago do Leite”, acusado de adulterar produtos da Dielat com soda cáustica e água oxigenada
Amostras de leite foram recolhidas para inspeção na sede da Dielat (Foto: Vinicius Linden/Rádio Taquara)

O Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu manter a prisão preventiva do químico industrial Sérgio Alberto Seewald, conhecido como “O Alquimista” ou “Mago do Leite”. Ele é acusado de liderar um esquema de adulteração de produtos lácteos no Rio Grande do Sul, ligado à empresa Dielat Laticínios, de Taquara.

A decisão foi proferida pelo ministro Reynaldo Soares da Fonseca, que negou o habeas corpus apresentado pela defesa de Seewald e de sua esposa. O pedido buscava o trancamento da ação penal e a revogação da prisão preventiva, decretada em dezembro de 2024 durante a 13ª fase da Operação Leite Compen$ado.

Segundo o STJ, a denúncia apresentada pelo Ministério Público cumpre os requisitos legais, descreve com clareza o modus operandi e apresenta provas técnicas robustas, incluindo laudos que apontam a materialidade dos crimes. O ministro também considerou que “a prisão continua justificada pela gravidade dos fatos, pelo risco à ordem pública e pelo histórico de reincidência do acusado”.

A Corte destacou ainda que o tempo de prisão preventiva, seis meses, não é excessivo diante da complexidade do caso, que envolve 15 réus e apuração de um esquema de grande proporção.

“O Alquimista” e a Dielat

Seewald foi preso em 11 de dezembro de 2024, durante operação coordenada pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul com apoio do Ministério da Agricultura, Polícia Civil, Brigada Militar, Receita Estadual e Fepam (Fundação Estadual de Proteção Ambiental).

As investigações apontam que o químico desenvolvia fórmulas para mascarar a acidez e o pH de leite vencido ou fora dos padrões, utilizando soda cáustica e peróxido de hidrogênio (água oxigenada), permitindo que o produto aparentasse estar próprio para consumo. Parte dessa produção estaria vinculada à Dielat Laticínios, que, segundo o MP, teria produtos adulterados distribuídos tanto no mercado interno quanto para exportação.

Seewald já havia sido preso em 2014 por práticas semelhantes e, de acordo com o Ministério Público, descumpriu medidas cautelares que o proibiam de atuar no setor. A defesa nega que ele mantenha relação comercial com a Dielat e sustenta que a prisão é desnecessária.