Aluno do Centro de Formação de Condutores, o taquarense Daniel Anderson Alves (na foto ao centro, junto de instrutores e da professora do curso), de 28 anos, portador de deficiência auditiva, conta com a ajuda de dois intérpretes voluntários que o auxiliam nas aulas usando a Língua Brasileira de Sinais (Libras). Mesmo sabendo ler e escrever, Daniel encontra dificuldades em interpretar algumas palavras, necessitando ajuda de Bianca Teixeira, 21, e de seu ex-aluno de Libras Renan Antonelo, 19, na compreensão do conteúdo nas aulas teóricas do CFC.
Daniel aprendeu Libras no colégio, aos oito anos de idade, e com muito esforço conseguiu concluir o ensino fundamental. Bianca e Renan se conheceram através de um casal de amigos em comum, coincidentemente surdos. Após retornar de São Paulo, onde cursou a faculdade de Pedagogia e acabou conhecendo uma comunidade de deficientes auditivos, Bianca se interessou por Libras e decidiu realizar um curso no Iacs. Algum tempo depois, Daniel foi seu aluno. Ele conta que havia aprendido um pouco de Libras com um deficiente auditivo. “É a mesma coisa que aprender inglês com um americano. É bem mais eficiente”, comparou. Bianca confirma que o aprendizado da Língua Brasileira de Sinais com uma pessoa surda é mais rápido devido à interatividade. Ela também ressaltou que, dependendo da família, a pessoa deficiente auditiva pode ser bilíngüe, ou seja, podendo se comunicar através de Libras, ou da Oralização, que é a leitura labial.
Questionada sobre o auxílio prestado por ela e Renan, Bianca responde que é necessário, já que para uma pessoa surda, não existe preposição verbal, além da não compreensão de muitas palavras. Renan lembrou que em uma única frase, Daniel, assim como os demais deficientes auditivos, entende somente algumas palavras. “Libras é a primeira língua dos surdos, e o português é a segunda. Por isso a dificuldade. A comunicação é a maior barreira encontrada por um deficiente auditivo”, explicou.


