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Suspeito confessa feminicídio em Parobé e polícia aponta premeditação do crime

Em entrevista, delegado responsável pelo caso detalha que confissão, uso de fita adesiva e tentativa de controle da vítima reforçam tese de premeditação. Polícia aguarda laudos para concluir inquérito

A investigação do feminicídio que vitimou Ana Beatriz Fernandes da Rocha, de 20 anos, em Parobé, ganhou novos contornos após a entrevista do delegado Francisco Leitão à Rádio Taquara, nesta quarta-feira (8). O relato do responsável pelo caso revela não apenas a confissão do suspeito, mas um conjunto de elementos que indicam planejamento, controle e escalada de violência.

Segundo o delegado, o interrogatório foi decisivo para esclarecer a dinâmica do crime. O acusado, Gabriel de Freitas, 32 anos, não só admitiu o assassinato, como deixou claro que a ação não foi impulsiva. “Ele já tinha o pensamento de cometer o crime”, afirmou Leitão, reforçando que a decisão de matar a ex-companheira foi anterior ao momento do ataque.

A motivação, conforme a polícia, está diretamente ligada ao comportamento possessivo. O investigado apresentava ciúmes excessivos e não aceitava o término do relacionamento, que durou cerca de dois anos. A vítima, por sua vez, já havia decidido encerrar a relação, um ponto que, na avaliação da polícia, foi determinante para o desfecho violento.

O delegado chama atenção para um detalhe que, na prática investigativa, pesa fortemente na caracterização da premeditação: a preparação de materiais antes do crime. Além da faca, o suspeito separou uma fita adesiva com a intenção de imobilizar a vítima. “Isso demonstra que ele pensou na execução, não foi algo repentino”, indica a linha de investigação.

A cena encontrada pelos policiais na casa da vítima, no bairro Guarani, também ajuda a reconstruir o ocorrido. “Embora o ambiente não estivesse completamente revirado, havia sinais claros de contenção da vítima. Vestígios de fita adesiva foram localizados nos punhos, indicando que ela pode ter sido impedida de reagir”, detalhou Leitão. A faca utilizada foi recolhida no local pela perícia.

Outro ponto destacado pelo delegado é o comportamento do suspeito após o crime. Conforme depoimentos e o próprio relato do investigado, ele deixou a residência ainda com roupas ensanguentadas. Essas vestimentas foram posteriormente localizadas pela polícia, fortalecendo o conjunto probatório.

Próximas etapas

Apesar da confissão, há lacunas que dependem de confirmação técnica. O número de golpes, por exemplo, ainda será determinado pelo laudo do Instituto-Geral de Perícias (IGP). Em depoimento, o suspeito alegou não se recordar de quantas facadas desferiu, apenas que “foram várias”, disse o delegado.

O histórico do investigado também entrou no radar da polícia. Segundo Leitão, ele já possuía registro por violência psicológica contra uma ex-companheira, em 2024, em Cachoeirinha. Embora não envolva a atual vítima, o padrão de comportamento, marcado por ciúmes e conflitos, é considerado relevante para a análise do caso.

No campo processual, o delegado confirmou que a prisão em flagrante foi homologada e convertida em preventiva após audiência de custódia. O suspeito já foi encaminhado ao sistema prisional, onde permanecerá à disposição da Justiça.

O delegado relatou que, a partir de agora, a Polícia Civil concentra esforços na fase final do inquérito. Serão colhidos novos depoimentos, além da incorporação dos laudos periciais. Com isso, a tendência, segundo Leitão, é o indiciamento por feminicídio, crime cuja pena “pode chegar a 40 anos de prisão”.

Acolhimento às vítimas de violência

O delegado destacou a importância da rede de proteção às mulheres na região. Ele reforçou que estruturas como Polícia Civil, Brigada Militar, Ministério Público, Judiciário e a Secretaria da Mulher atuam de forma integrada, oferecendo desde o registro de ocorrências até medidas protetivas de urgência.