
A nova administração municipal de Taquara se viu envolvida em uma polêmica pública nesta segunda-feira (18). A decisão de reformular a Casa do Artesão causou manifestação de contrariedade divulgada nas redes sociais por artesãos que utilizavam o espaço, reclamando da “retirada às pressas”. A prefeitura, por sua vez, afirma que o fechamento é temporário, a partir da próxima sexta-feira (22), visando a reformulação e recolocação do serviço em novo espaço. A intenção também é economizar com aluguéis, outra meta que vem sendo realizada desde o início do governo. Aquele aluguel custa R$ 1.121,59 por mês à prefeitura.
Em nota, a administração informou que a ideia é oferecer, de forma democrática, acesso a todos os artesãos do município à venda de seus produtos. O secretário de Administração, Orçamento e Desenvolvimento Econômico, Jefferson Müller, disse que, no regresso, haverá maior compartilhamento e rotatividade no espaço. “É algo que já ocorre em outros municípios e que nos parece uma forma mais organizada e democrática de atender a todos”, enfatizou.
Ainda no texto em que anunciou a mudança, a administração acrescentou declaração da prefeita Sirlei Silveira, lembrando que, devido à pandemia, a Casa do Artesão já não vinha funcionando regularmente, tendo em vista as restrições impostas pelo distanciamento social. Pontua, ainda, que o local não tem acessibilidade adequada. “Queremos tranquilizar as nossas artesãs dizendo que o fechamento não é definitivo, mas temporário, retornando em um prédio público em um momento oportuno”, explicou.
A prefeitura ainda mencionou o compromisso de convidar as artesãs para os eventos municipais. “Temos um respeito enorme pelo trabalho que elas desempenham. Manteremos o vínculo e as deixaremos a par de todas as decisões para a retomada do serviço”, reforçou Sirlei. A proposta é, com planejamento, formalizar, também, a criação de uma associação dos artesãos de Taquara.
A nota das artesãs
Na página do Facebook “Artesãs Taquara”, foi divulgada a posição pública das profissionais, em que comunicam que, após 12 anos, a Casa do Artesão está encerrando suas atividades. Dizem que respeitam a proposta de aluguel zero da administração, mas reforçam que a decisão de encerramento foi “de surpresa”. Afirmam que o ofício determinando a retirada imediata dos produtos e mobiliário chegou nesta segunda-feira, dia 18, com prazo até a quarta-feira, dia 20. “Uma retirada às pressas, sem a possibilidade de nos organizarmos com a devida tranquilidade, já que estamos em uma pandemia onde há pessoas do grupo de risco, outras de férias ou até mesmo com compromissos pessoais e/ou profissionais, as quais estamos tendo de forma imediata buscar o que é nosso”, mencionam.
Segundo as artesãs, a Prefeitura mencionou, de forma informal, uma vez que não consta no ofício, que eventualmente o grupo poderá se organizar para participar de eventos. “Fica a dúvida, sem o espaço físico (que era usado também para as reuniões) como poderemos nos organizar? Sempre tivemos um calendário definido de feiras na Rua Coberta em parceria com a agricultura familiar, geralmente nos segundos e quartos sábados do mês, e alguns extras para datas comemorativas. Calendário o qual esperamos que seja observado e respeitado, para que possamos manter um de nossos elos com os clientes e amigos da Casa do Artesão, estes conquistados em mais de uma década de trabalho”, acrescentam.
Ainda na nota, as artesãs dizem almejar que haja um olhar para os profissionais como elementos importantes nos eventos municipais, valorizando a produção local, com espaços que possibilitem mostrar tudo o que é produzido. “Ao longo desses anos, apoiamos muitas campanhas no município, inclusive confeccionando roupas de bebê para doar às famílias atendidas pela assistência social. A Casa foi um espaço de encontros, de trocas, de cursos e aprendizados. E que nessas mudanças dos órgãos municipais para espaços públicos, que também haja um espaço para o artesanato, que representa uma parte importante da cultura de uma cidade, da identidade daqueles munícipes e parte da história do município. Que esse até breve seja breve mesmo e logo possamos voltar a nos encontrar de forma presencial para que os taquarenses possam apreciar os trabalhos artesanais de sua cidade, peças essas que levam junto um pouco do amor e da vida de cada artesão”, completa o texto.


